Logo após o anuncio da Pandemia e sua letalidade agressiva, os cientistas começaram a fazer declarações alarmantes sobre as sequelas e principalmente sobre os efeitos psíquicos e emocionais para a população.
Os protocolos de saúde frente à pandemia envolvem uma vasta de áreas que devem ser priorizadas, mas é preciso chamar a atenção da população para o risco de uma epidemia paralela, que já dá indícios preocupantes: o aumento do sofrimento psicológico, dos sintomas psíquicos e dos transtornos mentais. Embora o impacto da disseminação do coronavírus para as doenças psíquicas ainda esteja sendo mensuradas, as implicações para a saúde mental em situações como a que estamos vivendo já foram relatadas na literatura científica.
Todos nós de algum modo sofremos as sequelas da longa luta contra a covid. O poder Público, as religiões, as Instituições sociais e inclusive as escolas e Universidades devem criar instrumentos que possibilitem toda a sociedade a botar para fora suas angustias, medos, necessidades, traumas e sequelas advindos das perdas e principalmente o sentimento de privação da liberdade e da incapacidade de lidar com uma doença tão complexa e misteriosa.
Precisamos compartilhar nossos lutos, perdas, medos e fraquezas. As pessoas reagem de maneira diferente a situações estressantes. Como cada um responde à pandemia pode depender de sua formação, da sua história de vida, das suas características particulares e da comunidade em que vive ou da extensão das suas perdas.
No início falava-se de grupos sujeitos ao estresse. Hoje percebemos que toda a sociedade de alguma forma vivenciou mais ou menos alguma perda. As pesquisas ainda caminham na busca de detectar o problema, porém todos enfrentam seus dramas. O pior é o silêncio e a inércia do Estado em criar estruturas de acolhimento, escuta e acima de tudo acompanhamento para amenizar as sequelas da Pandemia e do Covid 19.
O IJOMA desde o início da Pandemia abraçou a luta silenciosa das vítimas e disponibilizou profissionais para escutarem de forma clinica toda as pessoas. Vivenciamos desespero, dor e gritos de socorro. A luta continua e precisamos continuar a falar das seqüelas e dos cuidados para com as vítimas do covida19.