Em entrevista à emissora CNN, nesta quarta-feira (23/3), o ministro da educação, Milton Ribeiro, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (PL) lhe assegurou que os áudios vazados sobre um suposto favorecimento de pastores no ministério não são “nada demais” e que não pretende tirá-lo do cargo. “Estou firme”, ressaltou Ribeiro.
O ministro confirmou que atendeu aos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura a pedido de Bolsonaro, mas negou qualquer solicitação de favorecimento por parte de presidente. “Ele só pediu ‘Milton, você pode receber?’. Em nenhum momento o presidente pediu um tratamento especial. Não pediu para atender, pediu para receber”, explica. “Eles pediram a audiência, o presidente pediu para mim e eu atendi”.
Questionado sobre qual a relação que Bolsonaro teria com os pastores, no entanto, Ribeiro afirmou não saber e que não caberia a ele questionar o presidente a respeito.
Segundo o ministro, esses pedidos de atendimento de pastores acompanhados de prefeito são corriqueiros na pasta. “Eu recebo muitas pessoas no Ministério da Educação (MEC), inclusive sem mandato. Como que eu vou fazer uma seleção e não aceitar receber pastores?”, afirma. “Se for provado que eles fizeram [desvio de verbas], eu fui enganado”
Preocupações demais
Durante a entrevista, Ribeiro afirmou que não procurou o presidente para falar sobre a crise no MEC, pois ele já teria “preocupações demais”. Mas disse que recebeu uma ligação na mesma data em que os áudios foram divulgados pela mídia. “Ele [Bolsonaro]falou que eu permaneço, que eu fico de acordo com a sua confiança”, disse. “Mas o cargo de ministro é de confiança do presidente e se ele quiser e quando quiser, ele pode pedir o cargo”.
Ribeiro ainda revelou que, em agosto do ano passado, ouviu boatos de que havia um suposto esquema de corrupção envolvendo os pedidos de verbas dentro do ministério. “Fui em uma determinada cidade e ouvi um comentário dessa natureza e eu eventualmente recebi uma denúncia anônima sobre uma possível prática desse tipo de pedido de intermediação”, afirmou.
De acordo com o ministro, ele teria entrado em contato com a Controladoria Geral da União (CGU) e pedido uma investigação acerca do caso. “Um dos pedidos que me fizeram da CGU é que naturalmente eu não falasse [aos pastores] que eles estavam sendo investigados. E uma das coisas que eu não podia impedir era recebê-los”.
“Imagina se, de uma hora para outra, eu simplesmente parasse de recebê-los. Eu recebia, eles vinham trazer os prefeitos, tiravam foto e eu encaminhava para o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), sem agenda fora do MEC”.
Por fim, Milton Ribeiro afirmou que confia em sua equipe, mas que o MEC é um órgão grande onde trabalham pessoas “de outros governos”.
Na noite desta quarta, o procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura um inquérito contra Milton Ribeiro, como antecipou o colunista Guilherme Amado, do Metrópoles.
Ribeiro é suspeito de ter montado um gabinete paralelo com outros pastores na pasta, o que incluiria pedidos de propina de um líder religioso a um prefeito, para facilitar acesso a recursos do órgão federal.

