A Expofeira do Amapá já não cabe na antiga definição de feira agropecuária. A edição de 2026 confirma uma transformação iniciada com sua retomada: aquilo que nasceu essencialmente vinculado à exposição rural adquiriu uma nova fisionomia, incorporando cultura, turismo, inovação, empreendedorismo, economia criativa, entretenimento e, sobretudo, negócios. O dado mais eloquente dessa metamorfose é o volume superior a R$ 1,5 bilhão movimentado em negócios, consolidando uma trajetória extraordinária. Quando a 52ª edição marcou o retorno da Expofeira, projetava-se uma movimentação próxima de R$ 100 milhões e já se defendia sua conversão em uma grande feira multissetorial. Na 54ª edição, a projeção já alcançava R$ 1 bilhão, sob o conceito de uma verdadeira “Cidade Business”, conectando agronegócio, comércio, indústria, construção civil, ciência, tecnologia e cultura. Em 2026, portanto, o avanço para além de R$ 1,5 bilhão representa mais que crescimento financeiro: revela a consolidação de um modelo.
Essa nova arquitetura aproxima a Expofeira do conceito contemporâneo dos grandes eventos econômicos, nos quais exposição, conhecimento, experiência, entretenimento e geração de negócios convivem no mesmo ambiente. A comparação, guardadas evidentemente as diferenças de escala e especialização, pode ser feita com a Agrishow, de Ribeirão Preto, principal feira de tecnologia agrícola da América Latina, que em 2026 recebeu aproximadamente 197 mil visitantes e registrou R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios. O paradigma é importante: grandes feiras deixaram de ser simples vitrines de produtos para funcionar como plataformas de relacionamento, tecnologia, financiamento, inovação e networking. A própria Agrishow reúne mais de 800 marcas em 520 mil metros quadrados e se apresenta como hub de negócios e geração de oportunidades. É justamente nessa direção que a Expofeira avança, porém, acrescentando uma característica própria: a identidade amazônica e a intensa associação entre atividade empresarial, turismo, cultura e grandes espetáculos populares.
O entretenimento, nesse contexto, não deve ser interpretado como elemento acessório ou concorrente da atividade econômica. Ele integra a própria economia do evento. Grandes shows atraem público, estimulam transporte, alimentação, hotelaria, comércio, serviços, economia criativa e circulação de renda, enquanto a estrutura empresarial aproxima produtores, investidores, instituições financeiras, startups e consumidores. A 54ª edição já apontava essa integração ao registrar que a programação de artistas nacionais e regionais funcionava paralelamente às atividades econômicas, fortalecendo a dimensão social e cultural da feira. É o princípio da chamada economia da experiência: o valor de um grande evento não decorre exclusivamente do produto negociado, mas da experiência construída ao seu redor. Nesse sentido, cultura, gastronomia, turismo, tecnologia e negócios deixam de ocupar compartimentos isolados e passam a formar um ecossistema econômico. Não por acaso, o Sebrae identifica o segmento de eventos como atividade econômica relevante, registrando mais de 150 mil empregos formais no setor em 2024. (Observatório Setorial Territorial Brasil)
A Expofeira de 2026 demonstra, assim, que o Amapá encontrou um ativo estratégico que ultrapassa os limites de um calendário festivo. Se a retomada da 52ª edição anunciava a ambição de construir uma “cidade de negócios”, inclusive com atividades setoriais durante todo o ano, e a 54ª edição avançou para o conceito da “Cidade Business” amazônica, a sequência do projeto mostra que aquela ideia começa a adquirir densidade econômica. O desafio seguinte é transformar o êxito anual em política permanente: internacionalizar a feira, ampliar missões empresariais, criar rodadas de negócios com investidores nacionais e estrangeiros, fortalecer inovação, bioeconomia e turismo e utilizar o Parque da Fazendinha durante todo o ano. A Amazônia brasileira precisa de grandes vitrines econômicas próprias. Com mais de R$ 1,5 bilhão em negócios e capacidade de reunir desenvolvimento, cultura e entretenimento em um mesmo território, a Expofeira começa a ocupar esse espaço. Deixou de ser apenas a grande feira do Amapá para reivindicar, legitimamente, um lugar entre os grandes eventos de negócios e entretenimento da Amazônia e do Brasil.
Expofeira 2026 – o Amapá virou a chave

