A respeito dos filhos de Deus por meio da fé em Cristo Jesus, temos um pedido especial de Jesus para Deus em nosso favor na sua oração sacerdotal, ele diz: “(14) Eu lhes dei a tua mensagem, mas o mundo ficou com ódio deles porque eles não são do mundo, como eu também não sou. (15) Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno. (16) Assim como eu não sou do mundo, eles também não são. (17) Que eles sejam teus por meio da verdade; a tua mensagem é a verdade. (18) Assim como tu me enviaste ao mundo, eu também os enviei. (João 17.14-18).” Estamos na Semana da Pátria. É um período em que somos convidados a olhar para nosso país, lembrar nossa história e refletir sobre o significado de sermos brasileiros.
Quando pensamos em Pátria, lembramos da bandeira, do hino, das cidades, da história e de tudo aquilo que nos identifica como povo. Mas a Palavra de Deus nos convida a olhar para a Pátria de maneira mais profunda. É importante que entendamos que: uma nação não é apenas um território. Uma nação é formada por pessoas. E onde existem pessoas, existem relacionamentos, autoridades, responsabilidades, conflitos, pecados e oportunidades de servir. Por isso, os textos bíblicos de hoje (Sl 32.1-7 – Ez 33.7-9 – Rm 13.1-10 – Mt 18.1-20.) são muito apropriados para esta Semana da Pátria. Eles nos fazem uma pergunta: Que tipo de cidadão somos chamados a ser diante de Deus? A resposta começa no lugar onde Deus sempre começa: no coração humano. Contudo na prática: onde estiver o meu coração aí estarão os meus valores e minhas ações refletem o que tenho no coração. Se temos Deus então terei ações que anunciam ao Deus verdadeiro. Veja: o Salmo 32 declara: “Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga!” (Sl 32.1, NTLH). Antes de falarmos sobre o que precisa mudar no Brasil, precisamos reconhecer que Deus também precisa trabalhar em nós. Antes de apontarmos os erros dos outros, precisamos confessar os nossos. Antes de exigirmos justiça, honestidade e responsabilidade da sociedade, precisamos reconhecer nossa própria necessidade da graça de Deus. Pois, Cristo veio ao mundo para salvar pecadores. Ele tomou sobre si nossa culpa, morreu na cruz em nosso lugar e ressuscitou para nos dar perdão e vida eterna. E aqueles que foram perdoados por Cristo passam a viver de maneira diferente. Não vivem mais somente para si mesmos, mas para Deus e para o próximo. Por isso, nesta Semana da Pátria, meditar em quatro aspectos importantes: 1. Perdoados por Cristo, reconhecemos nossos pecados. 2. Chamados por Deus, falamos a verdade com responsabilidade. 3. Colocados por Deus na sociedade, respeitamos as autoridades e cumprimos nossos deveres. 4. Seguindo Jesus, cuidamos do próximo e buscamos a reconciliação.
- PERDOADOS POR CRISTO, RECONHECEMOS NOSSOS PECADOS – O Salmo 32 apresenta uma verdade que o ser humano não gosta de ouvir: somos pecadores e precisamos de perdão. Davi afirma: “Enquanto não confessei o meu pecado, eu me cansava, chorando o dia inteiro.” (Sl 32.3, NTLH). O pecado escondido pesa sobre a consciência. Muitas vezes tentamos justificar nossas atitudes. Colocamos a culpa nos outros. Dizemos: “Eu fiz porque ele fez primeiro”; “Todo mundo faz”; “Não é tão grave”. Mas podemos esconder nosso pecado das pessoas; de Deus, não. O caminho apresentado pelo salmista é outro: confessar o pecado e confiar no perdão de Deus. E então vem a maravilhosa notícia: “Feliz aquele cujos pecados Deus não acusa de culpa.” (Sl 32.2, NTLH). Deus perdoa. Graça imensurável. E Ele pode perdoar porque Cristo morreu por nós. Na cruz, Jesus recebeu a condenação que nós merecíamos. Ele levou nossa culpa e abriu para nós o caminho da reconciliação com Deus. Por isso, nossa identidade não precisa ficar presa aos nossos erros. Somos pecadores, mas, pela fé em Cristo, somos pecadores perdoados. Isso também muda nossa maneira de olhar para o Brasil. É fácil pensar que os problemas do nosso país são sempre culpa dos outros. O problema está no político, no empresário, no pobre, no rico, naquele partido, naquele grupo ou naquela pessoa. Mas a Palavra de Deus nos lembra: o pecado não está apenas nos outros; também está em nós. Podemos mudar governos, leis e instituições, mas nenhum sistema humano consegue eliminar o pecado do coração. Por isso, nesta Semana da Pátria, nossa primeira atitude não deve ser simplesmente apontar o dedo. Deve ser ajoelhar-nos diante de Deus e dizer: “Senhor, perdoa também os meus pecados.” A verdadeira transformação começa quando o pecador encontra a graça de Deus em Cristo.
- NÓS OS CHAMADOS POR DEUS, FALAMOS A VERDADE COM RESPONSABILIDADE – Ezequiel 33 apresenta uma imagem muito forte: o ATALAIA. O atalaia vigiava a cidade. Se percebesse a aproximação do inimigo, deveria tocar a trombeta e avisar o povo. Deus diz a Ezequiel: “Eu coloquei você como vigia do povo de Israel.” (Ez 33.7, NTLH). Isso nos ensina que Deus coloca pessoas em posições de responsabilidade. O profeta deveria falar quando fosse necessário advertir. Isso também nos ensina: falar a verdade é uma responsabilidade. Vivemos em uma época em que todos querem falar. As redes sociais deram voz a praticamente todos. Mas ter voz não significa ter sabedoria. O cristão é chamado a falar a verdade, mas deve fazê-lo com amor, humildade e responsabilidade. Ezequiel não recebeu a missão de insultar o povo. Recebeu a missão de advertir. Existe diferença entre advertir alguém por amor e simplesmente atacar alguém por arrogância. A advertência de Deus tem como objetivo conduzir o pecador ao arrependimento. Por isso, a Igreja não deve ter vergonha de falar sobre o pecado. Precisamos chamar pecado de pecado. Precisamos falar contra a mentira, a corrupção, a injustiça, a violência e tudo aquilo que Deus condena. Mas existe uma condição: Precisamos começar por nós mesmos. O verdadeiro atalaia não diz apenas: “Olhem como vocês são pecadores!” Ele também diz: “Eu também sou pecador e preciso da graça de Deus.” É justamente porque conhecemos a Lei que podemos anunciar o Evangelho. A Lei mostra nossa culpa. O Evangelho mostra nosso Salvador. E a mensagem central da Igreja não é simplesmente: “Seja uma pessoa melhor.” É: “Arrependa-se, confie em Cristo e receba o perdão que somente Ele pode oferecer.”
- ENTÃO SOMOS COLOCADOS POR DEUS NA SOCIEDADE, RESPEITAMOS AS AUTORIDADES – Romanos 13 é especialmente importante durante a Semana da Pátria. Paulo escreve: “Todos devem obedecer às autoridades do governo, pois nenhuma autoridade existe sem a permissão de Deus.” (Rm 13.1, NTLH). Isso não significa que todo governante seja justo ou que tudo aquilo que uma autoridade faça seja correto. A Bíblia mostra autoridades que cometeram graves injustiças. Paulo ensina que Deus estabeleceu a autoridade civil para preservar a ordem e o bem comum. Por isso, o cristão é chamado a respeitar as autoridades, cumprir seus deveres e orar por aqueles que governam. Paulo trata de algo muito concreto: “Paguem os impostos e as taxas que são cobrados de vocês.” (Rm 13.7, NTLH). Isso mostra que a fé cristã também aparece em nossa vida como cidadãos. O cristão não deve ser conhecido pela desonestidade. Não deve procurar vantagens ilícitas, enganar ou corromper. Não deve pensar: “Se todo mundo faz, eu também posso fazer.” Não! Pertencemos a Cristo também quando trabalhamos, fazemos negócios, dirigimos, estudamos ou cumprimos nossas obrigações civis. E Paulo resume: “Não fiquem devendo nada a ninguém, a não ser o amor.” (Rm 13.8, NTLH). Aqui está o coração da vida cristã na sociedade: o amor ao próximo. Amamos nossa Pátria não somente quando cantamos o hino ou levantamos a bandeira. Também a amamos quando somos honestos, respeitamos as pessoas, trabalhamos corretamente, cuidamos dos nossos filhos, ajudamos quem precisa e cumprimos nossas responsabilidades. Isso é cidadania. E, para o cristão, é também vocação. Deus nos coloca em diferentes lugares para que sirvamos ao próximo.
- TÃO LOGO, SEGUINDO JESUS, CUIDAMOS DO PRÓXIMO E BUSCAMOS A RECONCILIAÇÃO – No Evangelho, os discípulos perguntam: “Quem é o mais importante no Reino do Céu?” (Mt 18.1, NTLH). Eles querem saber quem é o maior. Jesus coloca uma criança diante deles e ensina que, no Reino de Deus, a verdadeira grandeza passa pela humildade. Isso é importante para nossa sociedade. Muitos conflitos acontecem porque queremos ser maiores que os outros. Queremos dominar, vencer, ter razão e receber reconhecimento. Jesus apresenta outro caminho: o caminho do serviço. Depois, Mateus 18 fala sobre a correção fraterna. Jesus ensina: “Se o seu irmão pecar contra você, vá e mostre-lhe o seu erro. Mas faça isso em particular, só entre vocês dois.” (Mt 18.15, NTLH). Jesus nos ensina a preservar relacionamentos. Quando alguém erra contra nós, não devemos imediatamente espalhar a história, transformá-la em fofoca ou humilhar a pessoa. Devemos procurar o irmão. Conversar. Corrigir. Ouvir. Buscar reconciliação. Isso vale para a família, a Igreja, o trabalho e a sociedade. Podemos discordar sem odiar. Podemos corrigir sem humilhar. Podemos defender a verdade sem abandonar o amor. E isso é especialmente importante em tempos de muita divisão. Não precisamos transformar quem pensa diferente em nosso inimigo. O cristão pode defender aquilo que considera correto, mas nunca deve esquecer que aquele que está diante dele também é uma pessoa criada por Deus. E existe uma razão ainda mais profunda: nós vivemos do perdão. Quem recebeu perdão aprende a perdoar. Quem foi alcançado pela misericórdia de Cristo aprende a tratar o próximo com misericórdia.
APLICAÇÃO À SEMANA DA PÁTRIA – Nesta Semana da Pátria, podemos amar o Brasil. Podemos valorizar nossa história. Podemos agradecer a Deus pela terra onde vivemos. Podemos orar pelas autoridades. Podemos desejar um país mais justo, seguro, honesto e fraterno. Mas precisamos lembrar: Nossa esperança última não está no Brasil. Nossa esperança não está em um presidente, partido, ideologia, economia ou instituição humana. Nossa esperança está em Jesus Cristo. Todo governo humano é limitado. Todo governante é pecador. Toda instituição pode falhar. Toda nação deste mundo é passageira. Mas o Reino de Cristo permanece para sempre. Somos cidadãos brasileiros e devemos exercer nossa cidadania com responsabilidade. Mas, pela fé, pertencemos a uma Pátria ainda maior: o Reino de Deus. E justamente por pertencermos ao Reino de Deus, somos chamados a servir onde Ele nos colocou. Na família, servimos. Na Igreja, servimos. No trabalho, servimos. Na sociedade, servimos. Na Pátria, servimos. E fazemos isso não para conquistar o favor de Deus. Fazemos porque já recebemos o favor de Deus em Cristo. Não obedecemos para sermos salvos. Obedecemos porque fomos salvos. Não amamos para comprar o amor de Deus. Amamos porque Deus nos amou primeiro. Não perdoamos para conquistar o perdão. Perdoamos porque fomos perdoados em Cristo.
TÃO LOGO CONCLUÍMOS – Queridos irmãos e irmãs, nesta Semana da Pátria podemos perguntar: Que tipo de Brasil queremos? Queremos um Brasil mais justo, honesto, seguro e humano. Mas a Palavra de Deus nos lembra que isso também começa em nós. Não podemos exigir honestidade dos outros enquanto somos desonestos. Não podemos exigir respeito enquanto desrespeitamos. Não podemos exigir justiça enquanto somos injustos. Não podemos exigir perdão enquanto nos recusamos a perdoar. Por isso, a transformação começa diante da cruz. Ali reconhecemos: “Eu sou pecador.” E ali ouvimos: “Cristo morreu por você.” Em Jesus encontramos o perdão, a paz e uma nova vida. O Salmo 32 declara: “Feliz aquele cujas maldades Deus perdoa e cujos pecados ele apaga!” Essa é a verdadeira felicidade. O pecador perdoado agora pode viver de maneira diferente. Como atalaia, fala a verdade. Como cidadão, respeita as autoridades. Como trabalhador, cumpre sua vocação. Como irmão, busca a reconciliação. Como cristão, ama o próximo. Como brasileiro, serve sua Pátria. Mas, acima de tudo, como filho de Deus, confia em Cristo. Que nesta Semana da Pátria Deus nos dê sabedoria para amar o Brasil sem transformar a Pátria em um ídolo. Que nos dê coragem para falar a verdade sem arrogância. Que nos dê humildade para reconhecer nossos próprios pecados. Que nos dê disposição para servir e amor pelo próximo. E, sobretudo, que nos mantenha firmes em Cristo. Por isso, enquanto peregrinamos neste mundo, sejamos bons cidadãos, bons vizinhos, bons trabalhadores, bons pais, bons filhos, bons irmãos e servidores do próximo. E que o Senhor Jesus Cristo, nosso Salvador, nos conduza até a verdadeira Pátria, aquela que não passa, não envelhece e não termina: O Reino eterno de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém!

