Queridos irmãos e irmãs em Cristo. Diz o salmista Davi: “Ó Senhor Deus, eu amo a casa onde vives, o lugar onde está presente a tua glória. (Salmo 26.8).” É uma confissão de onde ele sente-se seguro e protegido. Mas, dá trabalho, é preciso tomar a decisão de sair de casa, de planejar o trajeto até a casa de Deus.
Todavia, todos nós gostamos de caminhos fáceis. Queremos a bonança. Gostamos quando as coisas dão certo, quando nossa família está bem, quando o trabalho prospera, quando temos saúde e quando conseguimos resolver aquilo que nos preocupa. Mas os textos bíblicos de hoje colocam diante de nós uma pergunta importante: Estamos dispostos a seguir Jesus também quando o caminho passa pela provação, pelo sofrimento e pela renúncia? Eita! Agora dependendo da sua vida de fé, alguns dirão: depende! Mas do que? O que é tão importante que negar a Jesus e perder a vida eterna pelos “benefícios” terrenos?
Em Mateus 16, Jesus começa a explicar aos discípulos que deveria ir a Jerusalém, sofrer, ser morto e ressuscitar. Pedro não aceita aquilo. Ele queria um Cristo sem cruz. Queria Jesus, mas não queria o sofrimento. Jesus, porém, mostra que a cruz não era um acidente em sua missão. Era justamente o caminho pelo qual ele salvaria pecadores. Depois, Jesus diz aos discípulos que quem quiser segui-lo deve tomar a sua cruz e acompanhá-lo.
Isso também confronta o nosso coração. Muitas vezes queremos seguir Jesus sem cruz. Queremos a bênção, mas não a perseverança; queremos a vitória, mas não a provação; queremos o consolo, mas não queremos aprender a confiar em Deus quando não compreendemos o que está acontecendo.
Os quatro textos de hoje, porém, apontam para uma mesma realidade. O Salmo 26 mostra alguém que deseja permanecer fiel ao Senhor. Jeremias 15 mostra um profeta cansado e angustiado, mas sustentado por Deus. Romanos 12 mostra como o cristão vive em um mundo marcado pelo pecado: amando, servindo, perdoando, perseverando e vencendo o mal com o bem. E Mateus 16 nos conduz ao centro de tudo: Jesus Cristo e sua cruz. Por isso, o tema de nossa mensagem é: “Seguir Jesus: permanecer fiel na provação, carregar a cruz e viver o amor.”
Toda a mensagem que apresenta Cristo como salvador ou fala a respeito da obra de Deus tem um princípio de que se destaca: Não somos salvos porque conseguimos seguir perfeitamente a Jesus. Seguimos a Jesus porque ele primeiro nos salvou pela sua cruz.
- Vejamos que é preciso permanecer fiel na provação – O Salmo 26 apresenta alguém que coloca sua vida diante de Deus. O salmista pede que o Senhor o examine e prove o seu coração. Ele não está dizendo: “Senhor, veja como sou perfeito.” É, antes, uma oração de confiança: “Senhor, conhece-me. Examina-me. Mostra quem eu sou.” O que é também repetido no Salmo 139.23, que trata da presença e conhecimento de Deus em e sobre a nossa vida. Essa oração é importante porque podemos enganar outras pessoas, mas não podemos esconder nosso coração de Deus. Podemos aparentar força, enquanto estamos fracos. Podemos sorrir enquanto estamos sofrendo. Podemos demonstrar confiança diante das pessoas enquanto, dentro de nós, existem medo e dúvidas. Deus conhece tudo isso. Essa realidade aparece de maneira ainda mais intensa em Jeremias 15. Jeremias está sofrendo por causa de sua fidelidade à Palavra de Deus. Ele está cansado, angustiado e enfrentando oposição. Em sua oração, derrama diante do Senhor aquilo que está dentro do seu coração. Isso nos ensina algo muito importante: Ser fiel a Deus não significa viver sem sofrimento. Às vezes imaginamos que, se estivermos seguindo corretamente a Deus, todos os nossos problemas desaparecerão. Mas a Bíblia nunca promete isso. Jeremias era fiel e sofreu. E na sua queixa apenas recebeu como resposta “se tu voltares para mima poderás continuar meu profeta”, isto é, Deus continua sendo Deus mesmo quando não responde o que queremos. Os profetas sofreram. Os apóstolos sofreram. E o próprio Jesus sofreu ao ponto de exclamar; “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste? (Mateus 27.46 – NTLH)”. O que Deus promete não é uma vida sem dificuldades. Ele promete sua presença. No final da passagem, Deus garante a Jeremias que estaria com ele e o livraria. Talvez hoje, cada um de nós tenha muitos “talvez” e você viva com perguntas que aparentemente não estão respondidas para você. Mas, a Palavra de Deus nos permite levar essa dor ao Senhor. Você pode chorar diante de Deus. Pode confessar sua fraqueza. Pode dizer que está cansado. Mas não abandone a Palavra. Nossa esperança não está na força da nossa fé. Afinal, a nossa esperança está na fidelidade de Deus.
- Contudo é interessante entender que seguir Jesus significa carregar a cruz – Em Mateus 16. Jesus anuncia aos discípulos que iria para Jerusalém para sofrer e morrer, mas que ressuscitaria. Pedro reage imediatamente. Ele chama Jesus à parte e começa a repreendê-lo. Pedro queria impedir Jesus de ir à cruz. Mas Jesus responde de maneira muito forte: “Saia da minha frente, Satanás!” Por quê? Porque Pedro estava tentando afastar Jesus do caminho da salvação. Pedro queria um Messias glorioso, mas sem sofrimento. Queria um Cristo sem cruz. Mas um Cristo sem cruz não poderia nos salvar. Jesus precisava morrer. Precisava carregar nossos pecados. Precisava sofrer em nosso lugar. Precisava receber sobre si o castigo que nós merecíamos. E depois de anunciar sua própria cruz, Jesus fala da cruz dos discípulos. Jesus diz que quem quiser acompanhá-lo precisa “esquecer os seus próprios interesses” e estar disposto a morrer e segui-lo. Isso não significa que precisamos sofrer para conquistar a salvação.
A salvação não é comprada pela nossa cruz. A nossa salvação foi conquistada pela cruz de Cristo. Cristo sofreu por nós. Nós carregamos nossa cruz porque pertencemos a Cristo. Essa diferença é fundamental. Carregar a cruz pode significar permanecer fiel quando seria mais fácil abandonar a fé. Pode significar perdoar quando seria mais fácil guardar rancor. Pode significar dizer não ao pecado quando todos ao redor dizem que não há problema. Pode significar continuar confiando quando não conseguimos entender os caminhos de Deus. Pode significar servir quando ninguém agradece. Seguir Jesus não significa escolher sempre o caminho mais confortável. Significa confiar naquele que já percorreu o caminho da cruz por nós. - A cruz não alivia o poder da lei divina, a cruz transforma a maneira como vivemos, pois mostra Deus agindo em nosso favor – em Romanos 12, Paulo começa falando do amor. O amor cristão não deve ser apenas uma palavra ou uma aparência. Deve ser verdadeiro. O cristão é chamado a rejeitar o mal, apegar-se ao bem, honrar os outros, servir, perseverar nas dificuldades e continuar orando. Tiago vai dizer isso da seguinte maneira em Tiago 4.7-10: “obedeçam a Deus e enfrentem o Diabo, que ele fugirá de vocês. 8Cheguem perto de Deus, e ele chegará perto de vocês. Lavem as mãos, pecadores! Limpem o coração, hipócritas! 9Fiquem tristes, gritem e chorem. Mudem as suas risadas em choro e a sua alegria em tristeza. 10Humilhem-se diante do Senhor, e ele os colocará numa posição de honra.”
Mas em Romanos 12, Paulo chega a algo extremamente difícil: não pagar o mal com o mal. Isso confronta diretamente nossa natureza pecadora. Quando alguém nos machuca, nossa primeira reação normalmente é revidar. “Ele fez comigo? Eu também vou fazer.” “Ela me prejudicou? Vou mostrar quem sou.” “Não vou levar desaforo para casa.” Esse é o caminho do nosso velho homem. Mas Cristo nos chama para outro caminho. Paulo diz: “Não deixem que o mal vença vocês, mas vençam o mal com o bem.” Isso não significa aprovar o pecado ou permitir que alguém continue praticando injustiça contra nós. Significa não deixar que o pecado do outro produza pecado em nosso próprio coração. E de onde vem essa capacidade? Do Evangelho. Mas o poder de agir assim, está na Palavra, no Evangelho.
Agora acompanhe comigo nesta pequena ilustração — O peso da caminhada – Imagine uma criança caminhando ao lado do pai. O pai carrega uma mochila pesada. Depois de algum tempo, entrega uma pequena mochila à criança. A criança começa a caminhar, mas depois diz: “Pai, está muito pesado. Eu não consigo mais.” O pai então pega a mochila da criança e coloca junto da sua. A criança continua caminhando. Ela ainda está seguindo o pai, mas agora o peso está sendo carregado por ele. Essa pequena imagem nos ajuda a compreender a vida cristã. Jesus realmente nos chama para carregar nossa cruz. Não devemos negar isso. Mas não estamos caminhando sozinhos. E existe algo ainda maior: Cristo já carregou a cruz que nós jamais poderíamos carregar: a cruz do nosso pecado e da nossa condenação. A cruz que nos salva é a cruz dele. - Por isso, quando estivermos fracos, olhemos para Cristo – Talvez alguém diga: “Pastor, eu sei que devo perdoar, mas não consigo.” “Eu sei que devo continuar confiando, mas estou cansado.” “Eu sei que devo permanecer firme, mas não tenho forças.” E talvez você pense que isso significa que sua fé fracassou. Mas precisamos lembrar: A fé não é uma força produzida por nós mesmos. A fé recebe Cristo. Uma fé pequena pode agarrar-se a um Salvador grande. Uma mão trêmula pode segurar uma mão forte. Nossa esperança não está na intensidade da nossa fé, mas naquele em quem a fé confia. Por isso, quando estiver sofrendo, olhe para Cristo. Quando não souber o que fazer, volte à Palavra. Veja o texto do Evangelho, os discípulos tinham medo e dúvidas, mas Jesus continuava sendo seu Senhor.
Na prática – Como essa Palavra pode aparecer em nossa vida durante esta semana? Na família – Talvez exista alguma ferida dentro de sua casa. Alguém disse algo que machucou. Se alguém lhe fez algo que você ainda não conseguiu perdoar. Seguir Jesus significa não permitir que o pecado de outra pessoa produza pecado em nós. Mas, isso não significa aceitar abusos ou injustiças. Significa entregar a vingança a Deus e procurar agir conforme sua Palavra. Não pague o mal com o mal. Vença o mal com o bem. Também, no trabalho – Talvez você esteja enfrentando injustiça ou falta de reconhecimento. Continue fazendo aquilo que é correto. Sua identidade não depende do reconhecimento das pessoas. Você pertence a Cristo. Ou, nos relacionamentos – Existem pessoas difíceis. Existem pessoas que nos provocam. Existem pessoas que não gostamos. Vejam, Romanos 12 nos chama a agir de maneira diferente. Ou ainda na igreja – A igreja também é formada por pecadores. Por isso haverá diferenças, falhas e decepções. Mas a igreja não existe porque somos perfeitos. A igreja existe porque Cristo é nosso Salvador. Por isso, sirvamos. Então, perdoemos. Tenhamos paciência. Encorajemos os cansados. Oremos uns pelos outros. Vivamos o amor que recebemos de Cristo. Ainda, nas provações – Quando você perguntar: “Senhor, onde estás?” Lembre-se de Jeremias. Lembre-se do Salmo 26. Lembre-se de Jesus. E, principalmente, lembre-se da cruz. Se Deus entregou seu próprio Filho por nós, podemos confiar que ele não nos abandonará.
Então concluímos que – Os quatro textos de hoje nos conduzem pelo mesmo caminho. O Salmo 26 nos chama a permanecer diante de Deus. Jeremias nos mostra que um servo fiel pode ficar cansado, angustiado e ferido, mas Deus não abandona os seus. Romanos 12 nos ensina que a fé em Cristo transforma nossa maneira de viver: amamos, servimos, perdoamos, perseveramos e vencemos o mal com o bem. E Mateus 16 nos leva ao centro de tudo: Jesus Cristo e sua cruz. Jesus não escolheu o caminho mais fácil. Ele escolheu o caminho da cruz. Foi rejeitado, humilhado, ferido e morto. Mas ressuscitou. E fez tudo isso por nós. E quando a cruz parecer pesada demais, olhe para aquele que foi à cruz por você.
Porque esta é a verdade que precisamos guardar: Não somos salvos porque conseguimos seguir perfeitamente a Jesus. Seguimos a Jesus porque ele primeiro nos salvou pela sua cruz. Portanto: permaneça fiel na provação; carregue a cruz confiando em Cristo; e viva o amor que Cristo derramou sobre você. E quando você não conseguir, não olhe para a sua própria força. Olhe para Jesus. E aquele que começou a boa obra em seus filhos continuará sustentando-os até o fim. Amém.

