Um dos espaços mais tradicionais e movimentados de Macapá, o Mercado do Peixe, localizado no Mercado Central, vive uma realidade bem diferente da imagem de cartão-postal que atrai moradores e turistas.
Trabalhadores denunciam o abandono da estrutura, marcado por sujeira, forte mau cheiro, calor excessivo, pouca iluminação e falta de manutenção, problemas que vêm comprometendo o funcionamento do local e afastando consumidores.
O mercado, conhecido pela venda de peixes frescos, verduras e produtos típicos da região amazônica, é administrado pela Prefeitura de Macapá.
Após as reclamações, a gestão municipal informou, em entrevista à Rede Amazônica, que já tem conhecimento da situação e anunciou que uma reforma no espaço deverá ser iniciada dentro dos próximos 30 dias.
Enquanto as obras não começam, quem trabalha diariamente no local afirma enfrentar dificuldades para manter os negócios funcionando e preservar a clientela.
Além das bancas de pescado, o Mercado do Peixe reúne restaurantes e pequenos empreendimentos que dependem do fluxo diário de consumidores. Para muitos comerciantes, a queda no movimento já é percebida e está diretamente ligada às condições precárias da estrutura.
A empreendedora Zélia Maria Silva, proprietária de um dos restaurantes instalados no mercado, afirma que o estabelecimento continua funcionando graças à fidelidade de clientes antigos.
“Temos sorte porque amigos e clientes continuam vindo. Mas a situação está muito feia. Pedimos que a prefeitura olhe por nós e venha nos ajudar. Trabalhamos todos os dias nessas condições”, desabafou.
Segundo os trabalhadores, o ambiente apresenta problemas que vão muito além da aparência.
O forte odor provocado pela falta de limpeza, a presença de insetos, especialmente baratas, o calor intenso causado pela ausência de ventilação adequada e a iluminação deficiente tornam o espaço desconfortável tanto para comerciantes quanto para consumidores.
Quem chega ao Mercado do Peixe encontra um cenário que contrasta com a importância histórica e econômica do local. O que deveria ser um ambiente acolhedor para a comercialização de alimentos acaba transmitindo uma sensação de abandono, prejudicando a imagem de um dos principais centros de abastecimento da capital.
A comerciante Larícia dos Santos trabalha no mercado há dez anos e afirma que acompanhou diversas melhorias realizadas em outras áreas do Mercado Central, mas lamenta que o setor destinado ao pescado tenha permanecido sem investimentos.
“É muito quente, não existe ventilação e precisamos urgentemente de melhorias. Outras feiras já foram reformadas, mas justamente a nossa, que fica no Centro de Macapá e recebe tantas pessoas, continua esquecida”, afirmou.
O Mercado Central de Macapá passou por uma ampla revitalização e foi reinaugurado em janeiro de 2020, após quatro anos de obras.
Na ocasião, a reforma preservou as características da arquitetura colonial do prédio histórico e acrescentou um mezanino para ampliar o número de boxes destinados a comerciantes e fortalecer a atividade turística no local.
Três anos depois, em 2023, quando o Mercado Central completou 70 anos, a Prefeitura entregou 42 novos boxes destinados a empreendedores. As estruturas foram construídas na área de acesso pela Rua Cândido Mendes, com portas de vidro, pias com água encanada e acabamento em concreto.
O investimento foi de aproximadamente R$ 1,4 milhão, custeado com recursos do Tesouro Municipal e emenda parlamentar do senador Randolfe Rodrigues.
Entretanto, os problemas denunciados pelos trabalhadores concentram-se justamente na área do Mercado do Peixe, cujo acesso principal fica pela Avenida Antônio Coelho de Carvalho.
Para os comerciantes, a expectativa é que a reforma prometida pela Prefeitura finalmente tire o espaço da situação de abandono e devolva dignidade aos trabalhadores, melhores condições sanitárias e conforto aos consumidores.
Até que isso aconteça, feirantes seguem trabalhando diariamente em um ambiente que, segundo eles, está longe de refletir a importância histórica, cultural e econômica de um dos mercados mais tradicionais da capital amapaense. (Com informações do g1)

