Entre o ruído do mundo e o silêncio da consciência, ainda é possível escolher o equilíbrio
“Hoje eu preciso te encontrar de qualquer jeito…” — o verso, imortalizado na canção Pra Você Guardei o Amor, ecoa uma necessidade profundamente humana: o encontro, o pertencimento, a tentativa de dar sentido ao tempo e às relações. Relações de amor conjugal, relações filiais, relações fraternas…
Ainda que a memória popular muitas vezes recrie versos como “ Sei que nada será como antes”, um clássico da música popular brasileira, composto por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, lançado em 1972, no álbum de vinil Clube da Esquina.
Essa canção fala de mudanças inevitáveis, fala de futuro incerto, fala de nostalgia. Todavia, um amor, um filho, um gato, um cão que permanece é a essência dessa busca. E é exatamente nesse ponto que a sensatez se revela indispensável: na capacidade de viver o presente sem se perder nas ilusões do passado ou nas ansiedades do futuro.
Desde a Antiguidade, o estoicismo já nos oferecia esse caminho. Pensadores como Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio ensinaram que a verdadeira força não está no excesso, mas no domínio de si. Para eles, viver bem não significava viver intensamente em descontrole, mas viver com lucidez, equilíbrio e discernimento. Há, e aqui cabe uma pitada de realidade: essa virtude só é construída por você e, passo a passo, caindo e levantando, aprendendo e ensinando.
Por isso que nós professores apaixonados pelo ensino, estudamos para ensinar e quando ensinamos somos acrescidos de mais saber, visto que os saberes compartilhados com nossos alunos fazem essa magia da aprendizagem! Não existe aprendizado sem doses grandes de sensatez!
A sensatez, portanto, não é ausência de emoção — é a maturidade que orienta a emoção.
No entanto, o mundo contemporâneo parece caminhar na direção oposta.
Vivemos a era da informação abundante e da reflexão escassa. A geração pós-digital cresce imersa em telas, algoritmos e respostas rápidas, muitas vezes sem o tempo necessário para a elaboração crítica. O uso indiscriminado das inteligências artificiais, sem orientação ética e intelectual, tem produzido não conhecimento, mas aparência de saber.
As consequências já são visíveis: relações fragilizadas, intolerância crescente, adesão a pseudoverdades e a formação de ilhas ideológicas que substituem o verdadeiro senso de comunidade. As redes sociais estão cheias de guetos assim, apresentando e divulgando o caos. Criando comunidades virtuais que, na realidade, nunca se encontram, ou pouco se encontram e, mas se assemelham “a cegos guiando outros cegos”
A insensatez, nesse cenário, deixa de ser apenas uma falha individual e passa a configurar um fenômeno coletivo.
Somado a isso, o mundo atravessa um período de instabilidade alarmante, com inúmeros conflitos armados ativos. Uma geração inteira cresce sob o impacto do medo, da insegurança e, das notícias falsas, inevitavelmente, do ressentimento — terreno fértil para decisões impensadas e visões extremadas.
Mas a história nunca foi feita apenas de quedas.
“É verdade que o sol vai voltar amanhã…” — o verso de Renato Russo nos lembra que a esperança não é ingenuidade, mas uma escolha consciente diante da realidade.
Mesmo em meio ao caos, a sensatez resiste. O ser humano de bem, busca a verdade, incessantemente.
Ela está presente nos educadores que ainda formam para o pensamento crítico; nos jovens que questionam em vez de apenas reproduzir; nas famílias que cultivam valores; e nos espiritualistas que, independentemente de suas crenças, promovem o amor, a ética e a fraternidade.
A parte boa da humanidade não é a mais barulhenta, mas é a mais persistente. E, como em tantos momentos da história, serão esses os responsáveis por reconstruir pontes onde outros ergueram muros.
Uma família construída sobre a rocha que é o pensamento estóico: a virtude é o único bem, vivendo em harmonia entre a natureza e a razão, pode sofrer reveses os mais terríveis, porém não será abalada, pois, sabe, exatamente onde quer chegar: na plenitude do amor: ver os filhos criados e encaminhados, ver o cônjuge amadurecer e se tornar um ser melhor a cada dia, e assim, sucessivamente, como diz uma grande amiga minha, Socorro Cruz.
Em tempos de excessos, ser sensato é um ato revolucionário.
É pensar antes de reagir.
É dialogar quando o mundo grita.
É construir quando tudo parece ruir.
Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja tecnológico nem político, mas profundamente humano: recuperar a sensatez como valor essencial da existência.
Porque, apesar de tudo, o sol voltará amanhã. Como já mencionei no artigo da insensatez.
E com ele, sempre, a possibilidade de recomeçar — com mais consciência, mais equilíbrio e mais humanidade.
Escrever é para mim, um ato de profundo amor, e, se eu tocar um único coração, minha missão na Terra já estará completa, realizada, concluída! Boa leitura, queridos leitores!

