Licença!
Peço-te licença.
Vou escrever com as tintas dos astros
os gráficos feitos com traços solares.
Vou cruzar as vidraças
e jogar sal nos espaldares
para que possas caminhar
ao encontro dos cantares,
dos louvores nas calçadas,
tributo ao Divino Espírito Santo.
Enrolar-me em lençóis que flutuam,
tapetes navegáveis pelas ruas,
sinalizando teu destino abençoado
para que possas agradecer
as intempestivas abordagens,
os solavancos nas estradas,
as narrativas transformadas
e a transformadora presença
de Corpus Christi em tua crença.
Vou entregar-te, em silêncio,
um beijo, múltiplos abraços.
Saberás da oração a clemência;
sentirás do Amor a imanência;
perceberás no outro a transcendência.
Assim dizem os sábios,
Assim vivem os sensatos.
Os sensatos, os felizes,
os que espalham sorrisos
nos semblantes dos pequeninos,
dos PEREGRINOS.
Já os infiéis projetam dores, horrores.
As dores de tantas faces,
das guerras, da fome, maldades,
A vil maldade, as sombras.
Exploração do homem pelo homem.
Ser cristão nunca foi esfolar,
IGNORAR,
tão pouco caluniar ou subjugar
o PRÓXIMO.
O domínio que deves buscar
é o de teu próprio Ser e serás.
Serás um louvor ao Divino.

