Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, o povo de Deus, em seus momentos de dor, expectativas frente ao futuro, diz: “(5) Eu aguardo ansioso a ajuda de Deus, o Senhor, e confio na sua palavra. 6Eu espero pelo Senhor mais do que os vigias esperam o amanhecer, mais do que os vigias esperam o nascer do sol. (Sl 130.5-6- NTLH).” Isso pelo fato que a nossa vida é marcada pelos sofrimentos e notícias de morte. Mas aos que creem, fica a certeza de que a vida regida elo Espírito Santo é muito melhor. Afinal, com a presença de Deus Espírito Santo, sabemos que nos espera o encontro com o Senhor e sua ressurreição estendida a todos nós.
Todavia, a vida humana é marcada por uma realidade inevitável: a morte. Desde cedo aprendemos que tudo neste mundo tem um fim. Pessoas queridas partem, sonhos se desfazem, forças se esgotam. Mas, além da morte física, existe uma realidade ainda mais profunda e muitas vezes mais dolorosa: a morte espiritual. E essa quando percebida, causa terror e desespero, pois com a morte espiritual nasce a certeza de sofrimento eterno. Tanto é que todas as religiões proferem palavras que visam consolar as pessoas sobre o que irão encontrar após a morte, mas somente o cristianismo fala em Ressurreição como a promessa de continuidade da vida aos que creem. Só a fé cristã pode e dá a convicção de paz eterna, de fato. Todas as outras religiões, trabalham sempre no círculo vicioso de uma provável evolução espiritual que não tem base nem garantias visíveis de que isso é realmente possível.
Também é preciso compreender que há momentos em que o ser humano, mesmo estando vivo fisicamente, sente-se morto por dentro. Sem esperança, sem direção, sem alegria, sem fé. Há situações em que parece que tudo secou: o coração endureceu, a fé esfriou, a esperança desapareceu.
Talvez alguém/você aqui hoje esteja assim. Talvez você esteja enfrentando uma luta interior, um peso na consciência, uma tristeza profunda ou até mesmo um afastamento de Deus. Talvez você se sinta como alguém que já não tem mais forças para reagir. E é exatamente para essas situações que a Palavra de Deus nos fala hoje. Os textos do (Salmo 130; Ezequiel 37.1-14; Romanos 8.1-11; João 11.1-45) que servem de base para a nossa mensagem, trazem uma mensagem profunda, não são superficiais — eles tratam da realidade da morte e, principalmente, do poder de Deus de trazer vida onde não há mais vida. É por isso que o tema que nos guia é este: “Da morte para a vida: quando Jesus chama, até os mortos vivem.”
Por isso, veremos hoje quatro pontos em conexão, isto é: – Deus ouve o clamor do pecador no fundo do abismo – Deus promete vida onde só há ossos secos – Deus concede vida pelo seu Espírito – E Jesus, com sua palavra poderosa, chama até os mortos à vida.
O primeiro aspecto a ser observado com base no salmo 130 é que: O clamor do fundo do abismo, isto é, o desespero, a sensação de abandono, não é o fim, mas a certeza que Deus nos ouve e pode e quer nos atender. Por isso o Salmo 130 começa com palavras que expressam profunda angústia: “Ó Senhor Deus, eu te chamei quando estava em profundo desespero.” (Sl 130.1 – NTLH).
Neste salmo, nós não temos uma oração superficial. Não é uma oração formal, bonita e bem estruturada. É um grito. Um clamor que vem do fundo do abismo. Do fundo da alma de quem sofre. Mas que abismo/desespero é esse? É o abismo/desespero do pecado, da culpa, da consciência pesada. É o abismo/desespero de quem reconhece sua própria incapacidade diante de Deus. É o lugar onde o ser humano percebe que não tem como se salvar sozinho. Quando percebe pela sua existência que é um fracassado e nunca terá a tão sonhada vitória. O salmista continua: “(2) Escuta o meu grito, ó Senhor! Ouve o meu pedido de socorro. (3) Se tu tivesses feito uma lista dos nossos pecados, quem escaparia da condenação?” (Sl 130.2-4– NTLH).
Essa pergunta é devastadora. A resposta é clara: ninguém escaparia. Diante de Deus, todos somos culpados. Todos estamos espiritualmente mortos por causa do pecado. E aqui está uma verdade fundamental da fé cristã: o maior problema do ser humano não é externo, mas interno — o pecado que nos separa de Deus. Mas o salmo não termina na condenação. Ele aponta para a graça: “Mas tu nos perdoas, e por isso nós te tememos.” (Sl 130.4 – NTLH). Aqui está o primeiro grande movimento da morte para a vida: o perdão. Sem ele não existe renovo, não existe possibilidade de prosseguir. Mas, não é o ser humano que sobe do abismo por suas próprias forças. É Deus que, em sua misericórdia, perdoa, restaura e levanta. E o salmista conclui com esperança: “Povo de Israel, ponha a sua esperança em Deus, o Senhor, porque o seu amor é fiel, e ele sempre está disposto a salvar.” (Sl 130.7 – NTLH).
Este salmo se torna adocicado quando percebemos que mesmo no abismo, há esperança — porque Deus é misericordioso.
Um pelo exemplo sobre a esperança vem do nosso segundo ponto – O vale de ossos secos, conforme Ezequiel 37. Que nos fala do poder de Deus de fazer novas todas as coisas, entre elas dar vida aos mortos.
Vejamos: Se o Salmo 130 descreve o abismo interior, Ezequiel 37, nos apresenta uma imagem ainda mais impactante: um vale cheio de ossos secos. “O Senhor me levou pelo seu poder… e me deixou no meio de um vale cheio de ossos… eram muitos e estavam completamente secos.” (Ez 37.1-2 – NTLH). Imagine essa cena: ossos espalhados, sem vida, sem movimento, sem esperança. Não há carne, não há respiração, não há qualquer sinal de vida. Isso representa a condição espiritual do povo de Deus naquele momento, e mostra que o poder do pecado, da morte fere, machuca e destrói. — e, de certa forma, representa também a condição natural de todo ser humano sem Deus. Mas aos que creem em Deus nos mostra que as promessas de Deus não são vazias. E neste contexto de desolação, Deus faz uma pergunta surpreendente: “Será que esses ossos podem ter vida outra vez?” (Ez 37.3 – NTLH). Humanamente falando, a resposta é não. Ossos secos não voltam à vida. Mas Deus manda o profeta falar: “Eu porei o meu sopro de vida em vocês, e vocês viverão.” (Ez 37.5 – NTLH).
E o que acontece é extraordinário, a voz de Deus não pode se ignorada, mesmo entre os que dormem o sono da morte. Deus com a sua voz, chama, restaura, muda, transforma desolação em vida plena. O texto de Ezequiel diz que: os ossos se juntam – criam forma – recebem carne – e finalmente, o sopro de vida entra neles. E eles vivem.
Essa visão nos ensina algo essencial: a vida vem da Palavra de Deus e só ela pode transformar o que estava morto em alguém que vive em abundância. Não é o esforço humano que traz vida espiritual. Não é a força de vontade. Não é a religiosidade. É a Palavra de Deus que cria vida onde não existe vida. Assim como na criação do mundo, quando Deus disse “Haja luz” — e houve luz — aqui também, quando Deus fala, a vida acontece.
Por sua vez, o nosso terceiro ponto a ser observado aponta para: A vida pelo Espírito, que em Romanos 8 nos ensina a compreender que uma nova criatura emerge da ação do Espírito de Deus que aponta para Cristo Jesus. O apóstolo Paulo, em Romanos 8, aprofunda essa verdade, mostrando como essa vida acontece na prática. Ele escreve: “As pessoas que têm a mente controlada pela natureza humana acabarão morrendo espiritualmente; mas as que têm a mente controlada pelo Espírito de Deus terão a vida eterna e a paz.” (Rm 8.6 – NTLH). Aqui temos dois caminhos bem definidos: viver segundo a carne → morte; viver segundo o Espírito → vida.
A “natureza humana” aqui não significa apenas o corpo, mas o ser humano afastado de Deus, dominado pelo pecado. Mas Paulo continua com uma promessa poderosa: “Se em vocês vive o Espírito daquele que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dará também vida ao corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito, que vive em vocês. (Rm 8.11 – NTLH). Isso é extraordinário. O mesmo poder que ressuscitou Jesus dos mortos não é algo distante — ele está presente na vida do cristão por meio do Espírito Santo. Isso significa: vida espiritual agora (fé, perdão, paz) – e vida eterna no futuro (ressurreição do corpo). Portanto, o cristão já começou a viver essa passagem da morte para a vida.
E por sua vez no quarto ponto encontramos o clímax de tudo isso: a ressurreição de Lázaro em João 11. Aqui chegamos agora ao ponto culminante: o Evangelho de João. Aqui não temos apenas uma promessa ou uma visão — temos um acontecimento real. Algo visível a todos os presentes. E diz Jesus esperou no tumulo e as pessoas puderam ouvir a sua voz, e com ela o acontecimento, a Ressurreição. Nós também vamos ouvir essa voz. Diz o texto que Lázaro está morto há quatro dias. Não há dúvida: ele está morto. Marta expressa sua dor: “Senhor, se o senhor estivesse aqui, o meu irmão não teria morrido!” (Jo 11.21 – NTLH).
Ela crê em Jesus, mas ainda limita sua compreensão ao tempo e às circunstâncias. Então Jesus declara: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.” (Jo 11.25 – NTLH). Observe: Jesus não diz apenas que dá vida. Ele diz: “Eu sou a vida.” Ele é a própria fonte da vida. E então, diante do túmulo, Jesus ordena: “Lázaro, venha para fora!” (Jo 11.43 – NTLH). E o impossível acontece: o morto sai.
Irmãos, isso é central para entendermos o Evangelho: Lázaro não colaborou. Lázaro não reagiu. Lázaro não tomou decisão. Ele estava morto, mortos não reagem sozinhos. Mas quando Jesus chama — a morte perde o poder.
Vejamos esta ilustração para ajudar e entendermos: Conta-se que certa vez, um médico relatou a experiência de um paciente que sofreu uma parada cardíaca grave. Durante vários minutos, ele não apresentava sinais de vida. A equipe médica trabalhou intensamente, tentando reanimá-lo. Para quem estava de fora, parecia que não havia mais esperança. O corpo estava imóvel, sem resposta. Mas então, após insistência e intervenção correta, o coração voltou a bater. Mais tarde, aquele homem disse: “Eu não fiz nada. Eu não podia fazer nada. A vida voltou porque alguém agiu por mim.” Essa história ilustra uma verdade espiritual profunda: O morto não pode se dar vida. A vida vem de fora. Vem de Deus. Assim também acontece conosco na fé. Não somos nós que produzimos vida espiritual. É Cristo que nos chama, o Espírito que nos vivifica, e a Palavra que nos levanta.
Por isso precisamos entender que: Primeiramente, significa que devemos reconhecer nossa condição. Sem Cristo, estamos espiritualmente mortos. Não adianta negar isso, nem tentar maquiar essa realidade. Em segundo lugar, significa que há esperança real — não baseada em nós, mas em Deus. Se você sente que sua fé está fraca, que sua vida espiritual está seca, que sua esperança está abalada — lembre-se do vale de ossos secos. Deus pode trazer vida. E ainda: Se você carrega culpa, pecado, peso na consciência — lembre-se do Salmo 130. Deus perdoa. Se você teme a morte — lembre-se de Romanos 8. O Espírito dá vida. Se você acha que já é tarde demais — lembre-se de Lázaro. Jesus chega até o túmulo.
E mais: Ele não apenas chega — Ele chama. E quando Ele chama, até os mortos vivem.
Amados irmãos, hoje fomos conduzidos por quatro textos que apontam para uma única e gloriosa verdade: Deus é especialista em transformar morte em vida. Ele ouve o grito do abismo- Ele levanta ossos secos- Ele concede vida pelo Espírito – Ele chama mortos para fora do túmulo -E tudo isso se cumpre em Jesus Cristo. Na cruz, Ele enfrentou a morte. No túmulo, Ele venceu a morte. Na ressurreição, Ele garantiu vida eterna. E hoje, por meio da sua Palavra, Ele continua chamando. Chamando você. Chamando a mim. Chamando pecadores ao perdão. Chamando mortos à vida. Chamando desesperados à esperança. Por isso, não importa quão profunda seja a sua dor, quão pesada seja a sua culpa, quão distante você se sinta: Ouça a voz de Cristo. Porque quando Ele chama… até os mortos vivem.
Amém.
“Da morte para a vida: quando Jesus chama, até os mortos vivem.”
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique

