Emergem suscintos entre imagens, emoções, raciocínios e paisagens
os universos disruptivos que se curvam na argamassa sutil da linguagem de espelhos ora côncavos ora convexos do jornal que não é mais impresso.
Então, neste tremeluzir de confusões oriundas das ambições e despudores do poder a abalar mais que terremotos nos choques das placas tectônicas, sem desconsiderar a dor e a angústia que estes provocam, busco, talvez você também, uma rima ou uma âncora na leitura ou releitura de textos que transbordam poesia em abundância, onde entre o côncavo e convexo transcreve-se a linha diferencial da sensibilidade expressa – a ESPERANÇA.
Nessa arte, há muitos, impossível citar todos os que poetaram com métrica ou sem métrica, não importa. Importa é que atravessaram os limites do indigesto, da mentira, da fraude explícita e implícita em propostas repletas de malícias do Mercado e da overdose política eleitoreira. Eles nos fazem refletir e voar fora da poeira dos escombros civilizatórios, como o faz Carlos Drummond de Andrade:
“O que muda na mudança,
se tudo em volta é uma dança
no trajeto da esperança,
junto ao que nunca se alcança?”
(O Corpo)
Assim absortos na dança dos fatos diários encontramos em um trecho de Renato Russo, o convite para a contradança:
“Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição…” (Perfeição,1993)

