Há uma verdade simples, porém profunda, que atravessa os séculos: até Jesus Cristo, ao escolher habitar entre nós, “ E o verbo de fez carne e habitou entre nós” (João 1:14) optou por vir ao mundo por meio de uma mãe. Esse gesto, por si só, carrega um simbolismo poderoso sobre o valor da maternidade na experiência humana.
Desde os tempos mais remotos, nas cavernas e nas organizações tribais, a mulher-mãe sempre ocupou um lugar de reverência. Era respeitada, protegida e reconhecida como fonte da vida e da continuidade do grupo. Mesmo nas sociedades patriarcais, onde o homem assumia o centro das decisões políticas, religiosas e sociais, a figura da matriarca permanecia como um pilar silencioso — ouvida, sentida e profundamente respeitada no seio do clã.
No entanto, ao avançarmos para a contemporaneidade, inseridos em uma sociedade líquida e acelerada, onde tudo que era pilar de solidez pela tradição cultural se dissolve no ar das ideologias e narrativas dominantes, assistimos, pouco a pouco, a um esvaziamento desse papel. A maternidade, antes sagrada, vem sendo banalizada por discursos fragmentados e por um modernismo, muitas vezes, desconectado de valores essenciais.
A tecnologia avança a passos largos — fala-se em reprodução artificial cada vez mais sofisticada, em robótica e em possibilidades que beiram a criação de uma “vida” desumanizada — enquanto, paradoxalmente, as relações humanas se tornam mais frágeis. Se mesmo um Cristo quis ter uma mãe, por que razão tantas pessoas se afastam das suas?
Nesse cenário, observamos fenômenos inquietantes: a substituição simbólica de filhos por pets, o enfraquecimento dos vínculos familiares e a difusão de ideias que, em vez de elevar, acabam por desmerecer a figura da mãe. Como toda ação gera uma reação, não é surpreendente que estejamos diante de uma sociedade emocionalmente adoecida, carente de raízes, de afeto genuíno e de pertencimento.
Mãe é chata, mãe é brava, mãe é amiga, mãe é tóxica, mãe é isso ou aquilo outro e, vai se criando muros de julgamentos para aquele ser tão singular, tão sublime, tão frágil que, foi dando sua vida por aquele filho ou filha, foi se doando e fazendo isso até a morte, haja vista que a vida aqui na Terra cessa, então, aquela mulher que emprestou seu corpo e gerou sua vida corpórea, ela adoece e se despede de você, seja você um recém nascido ou um ancião, ela, sua mãezinha, vai embora.
E então, quando a ausência se torna definitiva, vemos os cemitérios se encherem de lágrimas. Filhos e filhas que, diante do silêncio das lápides, tentam expressar um amor que, muitas vezes, não foi plenamente vivido em vida. É o paradoxo humano: valorizar profundamente apenas depois da perda.
As broncas da mamãe eram chatas pra caramba, mas o seu silêncio é ensurdecedor!
Por isso, o apelo é simples, direto e urgente: abrace sua mãe hoje. Seja ela jovem ou idosa, saudável ou enferma, presente ou fragilizada. Honre-a não apenas com palavras, mas com atitudes. Demonstre amor no cuidado, na escuta, no respeito. Não delegue ao mundo virtual aquilo que precisa ser vivido no mundo real. Nenhuma mensagem em uma tela substitui o calor de um abraço, o olhar atento, a presença verdadeira.
E se sua mãe for difícil, limitada ou marcada por dores, ainda assim, escolha o caminho do cuidado. Amar, muitas vezes, é uma decisão — expressa em gestos, paciência e responsabilidade emocional.
Porque, no fim, a vida nos ensina — às vezes de forma dura — que o tempo é finito. E que o amor não vivido se transforma em saudade.
Não abandone sua mãe.
Feliz Dia das Mães.
Não abandone sua mãe
Professora, historiadora, coach practitioner em PNL, neuropsicopedagoga
clínica e institucional, especialista em gestão pública.

