Primeiro Ministro anuncia renúncia.
Keir Starmer, o sexto Primeiro Ministro britânico nos últimos 10 anos, anunciou que renunciará ao cargo abrindo espaço para um novo. Espera-se, até agora, uma transição tranquila. Já há um favorito para a sucessão. Vamos acompanhar a transição.
Sobre a sucessão a Reuters publicou, em 22 de junho de 2026, a matéria “Starmer, do Reino Unido, diz que vai renunciar ao cargo”, assinada por Elizabeth Piper, Alistair Smout e Andrew Macaskill, que transcrevo trechos.
“O primeiro-ministro Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira que renunciará ao cargo, abrindo caminho para o que se espera ser uma transição de poder tranquila para o favorito Andy Burnham, que poderá se tornar o sétimo líder britânico em 10 anos. O novo primeiro-ministro seria o sétimo desde o referendo do Brexit em 2016.
Em um discurso emocionado, Starmer disse que ouviu o Partido Trabalhista, que está no poder, e percebeu que não era mais o homem certo para liderá-lo em uma eleição nacional prevista para 2029. O anúncio, feito nos degraus de seu escritório em Downing Street e residência em Londres, pode desencadear outra disputa pela liderança ou, para muitos no partido, levar à opção preferida de uma coroação tranquila do ex-prefeito da Grande Manchester, Burnham.
Burnham, um político de carreira de 56 anos, não hesitou em afirmar no programa X que se candidataria a qualquer disputa pela liderança, recebendo o apoio do ex-ministro da saúde Wes Streeting, que era visto como um potencial rival em qualquer eleição.
ATIVIDADE POLÍTICA NA GRÃ-BRETANHA
Ao empossar o sétimo primeiro-ministro britânico desde o referendo do Brexit, há 10 anos, o governo trabalhista é o mais recente a sofrer com a ira dos eleitores devido à incapacidade dos políticos de cumprirem suas promessas de mudança.
Starmer afirmou que pediria ao comitê organizador do Partido Trabalhista que definisse um cronograma para a disputa pela liderança, visando encontrar seu sucessor. As inscrições seriam abertas em 9 de julho, encerradas em meados de julho e, caso haja uma disputa, um novo líder assumiria o cargo em setembro. Uma coroação poderia significar que um novo líder tomaria posse em meados de julho.
‘A pergunta que meu partido está fazendo agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa pergunta e a aceito de bom grado’, disse ele.
Após descrever as conquistas de seu governo em seus dois anos no poder, um homem frequentemente criticado por ser robótico, ficou visivelmente emocionado, com a voz embargada, ao agradecer à sua família pelo apoio.
‘Quando eu deixar o cargo mais importante do país, dedicarei mais tempo ao mais importante: ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa Vic, que tem sido um porto seguro ao meu lado nos bons e maus momentos, e ser o melhor pai possível para meus lindos filhos, que são meu orgulho e minha alegria.’ A pressão vinha aumentando há meses.
Starmer passou o fim de semana com sua esposa, Victoria, em sua residência no campo para refletir sobre seu futuro. Com o apoio diminuindo, ele percebeu a realidade política de sua posição. A ameaça a Starmer, que vinha se intensificando há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira, quando Burnham venceu de forma decisiva as eleições parlamentares e retornou a Westminster, derrotando um candidato do partido Reform UK de Nigel Farage, que liderava as pesquisas de opinião há mais de um ano.
Essa vitória deu esperança aos parlamentares trabalhistas de que Burnham, conhecido por suas fortes habilidades de comunicação, poderia transformar a sorte de um partido que perdeu apoio sob a liderança de Starmer. A libra esterlina valorizou-se em relação a outras moedas e os títulos do governo britânico tiveram uma alta após o anúncio de Streeting, já que os investidores receberam bem um caminho mais seguro para a posse de Burnham como primeiro-ministro.
Apesar da expectativa de uma transição tranquila, a mudança não está isenta de riscos. Caso outros candidatos decidam entrar na disputa pela liderança, o partido poderá acabar com uma competição acirrada que poderia paralisar o governo, embora a iniciativa de Streeting pareça ter reduzido essa probabilidade e tenha sugerido a alguns parlamentares trabalhistas que o ex-ministro da Saúde recebeu uma oferta de emprego de Burnham.
Burnham, que deve chegar a Londres na segunda-feira para assumir sua recém-conquistada cadeira pela região de Makerfield, no noroeste da Inglaterra, ainda não elaborou uma agenda política completa, e Farage, do Partido Reformista, imediatamente pediu eleições nacionais.
‘Já chega de esperar. A Grã-Bretanha precisa de mudanças – mudanças reais, não de mais um fracassado imposto pelo partido único’, disse Farage em um comunicado.
AINDA NÃO HÁ UMA ABORDAGEM CLARA
Além de afirmar que o país precisa de mudanças fundamentais e que deseja reduzir o custo de vida, Burnham ainda não deixou clara sua abordagem em relação a assuntos externos, economia e defesa.
Assim como Starmer, ele pode se deparar com pouca margem de manobra, pressionado por investidores do mercado de títulos que se opõem a qualquer empréstimo adicional e confrontado por um eleitorado irritado que acredita que o país não está funcionando corretamente.
O Reino Unido já possui os custos de empréstimo mais elevados do G7 devido à sua alta dívida e pagamentos de juros, anos de crescimento econômico anêmico, suas dificuldades em cortar gastos e a necessidade de investir em áreas como a defesa.”
Primeiro Ministro no Reino Unido cai rápido. Thatcher, Blair, Cameron duraram 10+ anos. Mas de 2016 pra cá ninguém passou de 3 anos. Starmer sabe disso.
Ala esquerda do Labour o odeia por barrar Corbyn e suspender 7 MPs que votaram contra corte de benefício. O partido de Nigel Farage pegou 14% dos votos. Se crescer, racha direita e ameaça Labour em distrito operário. Em economia: Prometeu crescer e não aumentar imposto de trabalhador. Não cumpriu.
“O sucesso de um líder não depende apenas do que ele pensa, mas de como pensa”. Luis Giolo, líder da Egon Zehnder no Brasil e antes teve passagem pela McKinsey & Co. Formado pela Fundação Getúlio Vargas, tem MBA pela Kellogg School of Management e mestrado em coaching pelo Insead.

