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A Gazeta do Amapá > Blog > Polícia > Ruy Ferraz: polícia prende três integrantes do PCC acusados de mandar matar ex-delegado
Polícia

Ruy Ferraz: polícia prende três integrantes do PCC acusados de mandar matar ex-delegado

Redação
Ultima atualização: 13 de janeiro de 2026 às 13:22
Por Redação 2 meses atrás
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Foto: Reprodução
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A Polícia Civil prendeu nesta terça-feira (13) três integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), acusados de mandar matar o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes. Ele foi executado a tiros em setembro do ano passado na Praia Grande, no litoral paulista.
Segundo a polícia, foram expedidos cinco mandados de prisão temporária e 13 de busca e apreensão em Jundiaí, Mongaguá, Praia Grande, Carapicuíba, Barueri, Mairinque e na capital.

Até a última atualização da reportagem, três criminosos foram capturados: Marcio Serapião de Oliveira, conhecido como Velhote ou MC

É apontado como integrante do PCC e investigado por dar apoio estratégico e logístico ao crime. Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ele tenha participado da guarda de veículos, do uso de imóveis de apoio e da ocultação de elementos relacionados ao assassinato.

Ele foi preso no bairro Vila Isa, na região de Interlagos, na Zona Sul de São Paulo. Durante a abordagem, tentou fugir, mas era monitorado por drone. Com ele, foram apreendidos documentos e dois celulares.

Fernando Alberto Teixeira, vulgo Azul ou Careca

É considerado um dos responsáveis por articular o mando da ação criminosa. As investigações indicam que ele participou do planejamento, da coordenação logística e da execução indireta do crime. Ele foi capturado em Jundiaí, no interior de São Paulo, e teve dois telefones celulares apreendidos.

Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como Manezinho ou Manoelzinho

É investigado por atuar como principal articulador logístico e operacional do grupo. Segundo a polícia, ele teria ajudado na fuga dos envolvidos, fornecido meio material e mantido a ligação entre os executores do crime. Manoel foi preso em Mongaguá, no litoral paulista. Durante as buscas, a polícia apreendeu uma arma de fogo.

A TV Globo tenta localizar a defesa dos presos.

Investigação

As investigações apontam que os suspeitos agiram de forma organizada e com tarefas bem definidas. Segundo a Polícia Civil, há fortes indícios de que eles participaram juntos do planejamento do crime, da execução e do apoio logístico.

Entre as provas reunidas pelos investigadores estão impressões digitais encontradas em veículos usados no crime, além de dados e conversas extraídos de celulares e outros aparelhos eletrônicos apreendidos durante a investigação.

A polícia também identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas e ligações entre os investigados, além do uso de imóveis que teriam servido como apoio para a ação criminosa.

Segundo os investigadores, os endereços ligados aos suspeitos podem guardar armas, documentos, dispositivos eletrônicos e outros materiais que podem ajudar a esclarecer o caso.

Execução a mando do alto escalão

Segundo denúncia do Ministério Público, apresentada em novembro, o ex-delegado-geral foi morto a mando do alto escalão do Primeiro Comando da Capital como vingança.

No total, oito pessoas foram denunciadas pela participação no assassinato. (Veja lista abaixo.)

Havia uma hipótese de que a morte dele tivesse relação com a sua gestão como secretário municipal na cidade de Praia Grande, mas foi descartada pelo MP.

O documento, elaborado pelo Gaeco (grupo especial do MP que atua no combate ao crime organizado), aponta que a morte de Ruy foi encomendada pela chamada “sintonia geral” da facção.

O ex-delegado ingressou na Polícia Civil no início dos anos 1980 e atuou por mais de quatro décadas em unidades estratégicas, como Denarc, Dope e Deic. No início dos anos 2000, passou a divulgar organogramas da estrutura do PCC e liderou, em 2006, o indiciamento da cúpula da facção, incluindo Marcos Camacho, o Marcola.

A “sintonia geral” determinou a morte de Ruy Ferraz Fontes ao menos desde 2019. Um relatório policial revela uma carta manuscrita apreendida naquele ano, na qual a liderança da facção “cobra a morte de alguns agentes públicos, dentre eles o doutor Ruy Ferraz Fontes”. A carta continha o seguinte trecho:

A sintonia geral vem cobrando o resultado dos trampos passados para nossos irmão da zona leste e ABC (…) contra os vermes que vem prejudicando o andamento dos trabalhos da família FM ABCD (…) Irmãos responsáveis: Koringa, Mimo, Barata, Terere, Corintiano. Missão: delegado Ruy Ferraz Fontes. Apoio dos 14

Quem são os 8 denunciados pelo MP

Os nomes abaixo foram denunciados como executores e participantes do plano e devem responder aos seguintes crimes: integrar organização criminosa armada, homicídio qualificado consumado e tentado, porte ilegal de arma de fogo de uso restrito e favorecimento pessoal.

Felipe Avelino da Silva (vulgo Mascherano);
Flávio Henrique Ferreira de Souza (Beicinho ou Neno);
Luiz Antonio Rodrigues de Miranda (Gão ou Vini);
Dahesly Oliveira Pires;
Willian Silva Marques;
Paulo Henrique Caetano de Sales (13 ou PH);
Cristiano Alves da Silva (Cris Brown);
Marcos Augusto Rodrigues Cardoso (Pan, Fiel ou Penelope Charmosa).

Em nota, Aleques Ramos da Cruz, advogado de Paulo Henrique, informou que “não há qualquer elemento mínimo que o relacione aos fatos investigados, sendo as provas apresentadas suficientes para demonstrar sua completa alheidade aos acontecimentos” (leia mais abaixo a íntegra).

A respeito de Cristiano, o mesmo advogado afirmou que “ele não possui qualquer envolvimento com crime organizado ou com qualquer outro tipo de atividade criminosa. Trata-se de pessoa idônea, trabalhadora e conhecida na região pelo seu trabalho como influenciador, produtor de eventos e criador de conteúdo” (leia a nota completa abaixo).

A equipe de reportagem não conseguiu localizar a defesa dos demais acusados.

A denúncia aponta que o crime foi precedido por um extenso planejamento, que incluiu vigilância da rotina da vítima, montagem de uma cadeia logística com imóveis de apoio, carros de fuga e obtenção de armamentos de alto calibre.

O Ministério Público afirma que os envolvidos mapearam os deslocamentos de Ruy Ferraz e organizaram uma estrutura com múltiplos pontos de apoio em Praia Grande, Mongaguá e na capital paulista. Câmeras de segurança foram desligadas durante o período da ação criminosa para dificultar a investigação.

Para o MP, Marcos Augusto Rodrigues Cardoso ocupava posição central na articulação, atuando como recrutador e organizador do grupo. Ele é apontado como integrante do PCC e exercia a função de “disciplina” no bairro do Grajaú, Zona Sul da capital.

Motivação: vingança do PCC

A denúncia sustenta que a motivação do crime foi considerada torpe por ter origem em uma facção criminosa que buscava retaliação pelo trabalho desenvolvido por Ruy Ferraz no combate ao PCC. Segundo o MP, o crime foi uma resposta direta ao enfrentamento do delegado ao “estado paralelo imposto pelo Primeiro Comando da Capital”.

O documento também destaca que o ataque ocorreu com armamento de uso restrito, em via pública e horário movimentado, colocando outras pessoas em risco, o que agravou as acusações formuladas.

Agora, o Ministério Público afirma que ainda há diligências em andamento para identificar outros possíveis envolvidos e aguarda a análise do Judiciário para o possível recebimento da denúncia e o prosseguimento da ação penal.

Fonte: g1

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