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A Gazeta do Amapá > Blog > Sem categoria > Quando a velhice se assume ridícula
Sem categoria

Quando a velhice se assume ridícula

José Altino
Ultima atualização: 21 de fevereiro de 2026 às 20:12
Por José Altino 6 horas atrás
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Num certo domingo de outubro de1989 fui agraciado com entrevista em um programa de televisão famoso à época. Cara a Cara, por uma das melhores profissionais de então, Marília Gabriela,
Nem quinze dias, ou isso, haviam se passado, aconteceram as eleições presidenciais, de forma direta. após tantos anos de generalatos com escolhas anuídas, por um Congresso eleito por urnas, mas permissivo e concordante. A Nação retornava a democracia plena; pelo menos, era assim o entendimento.
O ungido, Fernando Collor de Melo, intitulado caçador de marajás, derrotara fragorosamente o Sr. Luís Inácio “Lula “da Silva, Após a vitória pôs-se a descansar nas ainda hoje, desconhecidas da brasileirada humilde, nas chamadas Ilhas Seicheles; do outro lado do continente africano.
Primeira demonstração de meninão folgado, em se levando em conta as responsabilidades que haveria de assumir. Como se todo espaço de meses no tempo restante, até a posse, pudesse bem informá-lo e prepará-lo às funções.
Por isso no encontro com Marília, coube minha resposta a sua pergunta do que achava de sua eleição `a presidente.
E o que lhe disse, ainda nestes tempos, está perenizado circulando no YouTube. Assegurei que estaria preocupado pela decisão das urnas, asseverando que ele era muito jovem, e presidência não se coaduna muito com a juventude. Completei, lhe dizendo pensar até que possivelmente ele não terminaria seu mandato. Espantada com tal premonição, nada retrucou ou respondeu. Imaginei ter achado um absurdo…
Mas, foi isso que aconteceu. Dois anos e o garoto quarentão estava fora e por isso, centenas de pessoas passaram a inquirir-me o porquê do meu acerto. Muitos chegaram a afirmar ser pacto com o demônio e que ele me contara.
Mas, um pouco de história deixou e muito demonstrou minha antecipação correta do que traria com sua jovialidade, na cadeira em um país em que o trono à assumir tem matizes de imperador. Algo herdado pelas emoções e paixões bastante “professorais” da Assembleia Constituinte, que há pouco antecedera aquelas eleições.
Um Trump a parte, presidência, seja lá de onde ou do que for, principalmente se conquistada de escolha por votos, pede, sem nenhuma possibilidade em ser diferente, prudência, cautela, cuidados, calmos anseios e principalmente tolerância. Não cabe a um presidente politicamente, armazenar ou externar raivas, diferenças, desacertos e muito menos ódios para com seus então adversários na disputa. Inda que já é difícil, não ser raivosa ou mesmo ofensiva, coisa bem normal a latinos.
Eleito, presidirá não apenas àqueles que nele votaram, mas a todos, a começar por seu direto concorrente. E isto é coisa muito difícil a um jovem adotado pela vaidade, após a conquista, saber como exercer. Até porque, jovens só presam a presença daqueles que apenas falam o que gostam de ouvir.
O homo sapiens existe a aproximadamente 100.000 anos e a história nos conta a constante existência controladora das guerras e subsistências mantenedoras do conjunto jovem, assim como sua convivência, com oitiva e praticamente obediência a um Conselho de Anciões. Era assim e as organizações de Estado até em dias de agora se tem mantido. Mesmo governos absolutistas sustentaram tal linha. Reis, bem sabiam disso…
Deixando lado a filosofia, voltando ao exemplo Collor, que sentia orgasmos a cada continência recebida por generais, antes os “mandões”, assumindo a 15 de março, já no 18, descia em Boa Vista-RR, vestindo farda generalada, não somente em si, mas em mulher e filho. La chegou para desarrumar o que seu cauteloso antecessor, com muito custo e dificuldade arrumara, estabelecendo um caos, entre buscadores da riqueza nacional e povos originários, que tantos anos passados, perdura até nossos presentes dias.
Um válido exemplo que falsos religiosos, passionais, pernósticos defensores de verdades imprestáveis ou endeusados de batuta e forças nas mãos, não percebem, destruindo a harmonia centenária existente então.
Pode parecer defesa ou atenção a peculiares atividades tão desconhecidas em Brasil moderno, mas não, não o é e seu longevo atual desajuste comprova os caminhos de erros tomados. Coisa que nem desfile em escola de samba como ano passado, na capital fluminense, sequer ajudou ou resultou em algo produtivo.
Também talvez por isso, como certo ficou havendo exceções, vale o velho ditado: “no Brasil tudo acaba em Samba”.
Pois é, com Collor tivemos espetáculos domingueiros de, à época modernismo, sair em Cooper de bundinha saltitante, com toda a imprensa acompanhando desde a famosa casa da Dinda, a lugar nenhum. Ressurreição em desfiles, do velho Rolls Royce getulista, passeios de Ferrari pelas ruas chamadas de eixos, e no bagageiro, um irmão meio sacana e invejoso.
Sua maior observação, tangida pela idade em momento tão sofrido de sua vida e carreira, foi declarar que sentira o término do poder perdido, quando ao ser defenestrado do Palacio do Planalto para a Dinda, no helicóptero fabiano, foi solicitar ao piloto uma extensão no trajeto para registro de memória do lago e Alvorada, ouvi-lo dizer em resposta que não havia combustível para isso. Nesta hora com raciocínio assim, bem cabe uma exclamação baixa de “puta que pariu”.
São histórias e exemplos que urnas jamais levam em conta, permitindo que tudo se repita em diferentes vieses.
Mas, nosso atual presidente, nem mais moço o é, possuindo inclusive notáveis experiencias em mandatos anteriores acumulados, entretanto desta vez não levou em conta, segurar opiniões com poder de comando, que pudessem produzir riscos de maior desgaste, causados por um imprudente açodamento juvenil. Expondo a imagem que não é somente sua, mas de toda a Nação. Assim como a que atender a uma obrigatória atenção a liturgia do cargo.
Qualquer presidente à grito e samba na avenida da louca fantasia são mistura explosiva.
Em nosso país é lei não se homenagear a pessoas vivas, sequer com nomes em ruas e avenidas. Não as existindo para as loucuras carnavalescas, mas tal folguedo, uma festa pagã, não é para presidentes e sequer campanhas eleitorais. São algo de exclusividade do povo, de seus sonhos, de suas crenças e das histórias vividas pela Nação, embora cause perplexidade, por ser muito bem conduzida pela respeitável turma do “vale o que está escrito”. Enfim, uma doação de amor e alegria a tantos, onde não existe espaço à política e contraditórios desrespeitosos. Principalmente retratando e alimentando animosidades e ódios.
Aos infernos quem essa ideia produziu à mente da presidência, de uma grande Nação como a nossa. Embora um tanto inacreditável que Luís Inacio “Lula” da Silva tenha se permitido a ser tangido a uma chula forma pública de expansão do universo antagonista, nada recebendo em retorno. Ainda mais ser até criminoso, qualquer envolvimento de recursos públicos.
Votos são secretos, mas julgo possível votar em um feliz carnavalesco, mas nunca nas extremadas ambições eleitorais de um vaidoso velho já presidente. Cheguei a pensar que melhor conhecia, este um tanto alquebrado senhor, até mais novo que eu.
Que o sono adormeça seus ouvidos e que sempre possa repousar feliz e satisfeito, mas quando acordado, chame de volta, com urgência sua mentora velha guarda, antes que com pesadelos nossa Nação perca deferências a autoridade e tudo, venha se acabar.
E que nunca mais se permita a exposição ridícula…

BH/Macapá/GV 22/02/2025

José Altino Machado

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