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A Gazeta do Amapá > Blog > Amapá > Feminicídios crescem no Amapá, contrariando tendência nacional de queda no primeiro semestre de 2026
Amapá

Feminicídios crescem no Amapá, contrariando tendência nacional de queda no primeiro semestre de 2026

Redação
Ultima atualização: 22 de julho de 2026 às 16:42
Por Redação 4 horas atrás
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Embora o Brasil tenha registrado uma pequena redução nos casos de feminicídio no primeiro semestre de 2026, o cenário no Amapá segue em direção oposta e acende um sinal de alerta.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o estado registrou um aumento de 16,7% nos feminicídios entre janeiro e junho deste ano, colocando-se entre as nove unidades da federação que apresentaram crescimento desse tipo de crime.

Em todo o país, foram contabilizadas 741 mulheres vítimas de feminicídio nos seis primeiros meses de 2026, contra 760 no mesmo período de 2025, uma redução de 2,5%, equivalente a 19 mortes a menos.

Apesar da queda nacional, os números ainda representam uma média preocupante de quatro mulheres assassinadas por dia em razão da violência doméstica, familiar ou motivada pelo desprezo e discriminação à condição feminina.

No Amapá, entretanto, a realidade é mais preocupante. O crescimento de 16,7% coloca o estado entre aqueles que registraram aumento da violência letal contra mulheres, superando a tendência nacional de redução e evidenciando que o enfrentamento ao feminicídio continua sendo um dos maiores desafios da segurança pública e da proteção às mulheres.

Além do Amapá, também registraram aumento nos feminicídios Goiás (113,6%), Sergipe (71,4%), Amazonas (66,7%), Santa Catarina (33,3%), Paraná (17%), Rio Grande do Sul (13,9%), São Paulo (10,1%) e Rio Grande do Norte (10%).

O crescimento desses indicadores reforça a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à prevenção da violência de gênero, ao acolhimento das vítimas e à responsabilização dos agressores.

Crime passou a ter penas mais severas

A Lei do Feminicídio entrou em vigor em março de 2015, incluindo o assassinato de mulheres por razões de gênero na legislação penal brasileira. Em 2024, a legislação foi ampliada e o feminicídio deixou de ser apenas uma qualificadora do homicídio, tornando-se um crime autônomo.

Com a mudança, a pena prevista passou a variar entre 20 e 40 anos de prisão, podendo chegar a 60 anos quando existem circunstâncias agravantes, tornando-se atualmente a maior punição prevista no Código Penal brasileiro.

Governo amplia ações de enfrentamento

Na tentativa de reduzir os índices de violência contra a mulher, o Governo Federal lançou neste ano o Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, iniciativa que reúne ações voltadas ao fortalecimento da rede de proteção e ao aperfeiçoamento das políticas públicas de prevenção e combate à violência de gênero.

Outra medida foi a criação do Centro Integrado Mulher Segura, estrutura nacional destinada a integrar e monitorar os serviços de atendimento às mulheres vítimas de violência em todo o país.

O Ministério da Justiça também coordena uma operação nacional envolvendo as polícias civis e militares dos estados. Somente neste ano, a ação resultou na prisão de mais de 10 mil pessoas investigadas ou flagradas por crimes relacionados à violência contra a mulher, como ameaça, lesão corporal, feminicídio e descumprimento de medidas protetivas.

Especialistas pedem cautela na análise dos números

Apesar da redução registrada nacionalmente, especialistas alertam que os dados devem ser interpretados com cautela. A série histórica demonstra que, embora 2026 apresente uma leve queda em relação ao ano passado, o número de feminicídios ainda permanece acima dos patamares registrados em anos anteriores.

Parte desse cenário é atribuída ao aprimoramento dos sistemas de investigação e classificação dos crimes pelas polícias e pelo Poder Judiciário, permitindo que mortes anteriormente registradas como homicídios passem a ser corretamente identificadas como feminicídios.

Entretanto, pesquisadores ressaltam que esse aperfeiçoamento estatístico não explica sozinho a persistência dos casos. A violência de gênero, a desigualdade estrutural e o machismo continuam sendo apontados como os principais fatores que alimentam os assassinatos de mulheres no Brasil.

No caso do Amapá, o aumento de 16,7% nos feminicídios evidencia que, apesar dos avanços na legislação e das ações de enfrentamento, a violência contra a mulher permanece como um grave problema social, exigindo respostas cada vez mais rápidas, integradas e eficazes das instituições públicas e da sociedade.

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