Os países debatem acordo razoável.
Parece que os países envolvidos no conflito deixaram de lado a razoabilidade. Continuam na lógica do ‘perde ganha’ ao invés de optarem por uma relação mais duradoura e menos violenta do ‘ganha, ganha’, qualquer um pode chegar a mesma conclusão que eu após ler a matéria publicada pela Reuters, 1° de junho. “O Irã interrompeu as negociações indiretas com os EUA devido à incursão israelense no Líbano, segundo a agência Tasnim”. O Irã interrompeu as negociações indiretas com os EUA devido à incursão israelense no Líbano, segundo a agência Tasnim, assinada por Yomna Ehab que transcrevo trechos.
“O Irã suspendeu as negociações indiretas com os EUA depois que Israel ordenou que suas tropas avançassem mais no Líbano para combater o Hezbollah, apoiado por Teerã, informou a agência de notícias iraniana Tasnim nesta segunda-feira, complicando os esforços diplomáticos para pôr fim a três meses de guerra. A agência Tasnim informou que a equipe de negociação da República Islâmica interrompeu a troca de mensagens com Washington por meio de mediadores sobre os ataques ao Líbano, onde a guerra entre EUA e Israel contra o Irã reacendeu o conflito de Israel com o Hezbollah.
A medida representa mais um obstáculo às esperanças de um fim rápido à crise, depois de o Irã ter afirmado ter atacado uma base aérea dos EUA na sequência dos ataques americanos contra alvos militares iranianos no fim de semana, que aumentaram ainda mais a pressão sobre um frágil cessar-fogo. Os preços do petróleo subiram mais de 5 dólares por barril após o relatório da Tasnim.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia reiterado anteriormente nas redes sociais que acreditava que Teerã desejava chegar a um acordo. Mas as esperanças de um avanço foram atenuadas por comentários de autoridades iranianas criticando a postura ‘em constante mudança’ dos EUA nas negociações. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, também mencionou o Líbano, onde outro cessar-fogo está em vigor, como um obstáculo.
A guerra iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Também causou prejuízos econômicos globais, elevando os preços da energia, uma vez que o Irã efetivamente fechou o Estreito de Ormuz, uma rota vital para o abastecimento global de petróleo e gás natural liquefeito.
A agência Tasnim afirmou que o Irã e a Frente de Resistência, que inclui seus aliados xiitas no Iêmen, Líbano e Iraque, definiram uma agenda para bloquear completamente o estreito e ativar outras frentes, incluindo o Estreito de Bab El Mandeb, para ‘punir’ Israel e seus apoiadores. Se os houthis, aliados do Irã no Iêmen, abrirem uma nova frente no conflito, um alvo óbvio seria o Estreito de Bab El Mandeb, na costa do Iêmen, um ponto de estrangulamento para a navegação e uma passagem estreita que controla o tráfego marítimo em direção ao Canal de Suez. Referindo-se às exigências do Irã em relação ao Líbano, a agência Tasnim afirmou: ‘Não haverá negociações até que as posições do Irã e da resistência sobre este assunto sejam atendidas.’
O Irã e os EUA têm trocado golpes esporadicamente, apesar do cessar-fogo em vigor desde o início de abril, enquanto o Paquistão tenta mediar um acordo de paz duradouro. As Forças Armadas dos EUA disseram ter atacado, no fim de semana, defesas aéreas iranianas, uma estação de controle terrestre e dois drones que representavam uma ameaça para navios, após ‘ações agressivas do Irã’, incluindo o abate de um drone americano em águas internacionais.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou na segunda-feira ter atacado uma base aérea usada pelos EUA em resposta a um ataque no sul do Irã. O governo kuwaitiano não identificou a base, mas ativou suas defesas aéreas na segunda-feira e denunciou os ataques iranianos com mísseis e drones, que, segundo ele, estavam minando os esforços para reduzir as tensões na região.
As forças americanas interceptaram dois mísseis balísticos iranianos que tinham como alvo forças americanas baseadas no Kuwait no final do domingo, informou o Exército dos EUA nesta segunda-feira, acrescentando que nenhum militar americano ficou ferido.
Em uma publicação nas redes sociais feita no final da noite, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o Irã ‘realmente quer fechar um acordo’. Ele repreendeu os críticos, incluindo aqueles que descreveu como ‘republicanos aparentemente antipatrióticos’, por suas críticas negativas às negociações para pôr fim ao conflito.
‘Apenas relaxe e fique tranquilo, tudo vai dar certo no final – sempre dá!’, disse ele.
Mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, acusou Washington na segunda-feira de enviar mensagens contraditórias e disse que isso não funcionaria como tática de negociação. ‘A outra parte está constantemente mudando de opinião e apresentando demandas novas ou contraditórias (…) é natural que essa situação prolongue as negociações, disse Baghaei ‘o Irã considera as ações israelenses na região, incluindo no Líbano, como indissociáveis das ações dos EUA’.
Trump está sob pressão para reabrir o Estreito de Ormuz e reduzir os preços da gasolina nos EUA antes das eleições legislativas de novembro, à medida que os eleitores demonstram crescente frustração com o aumento dos preços. Ao mesmo tempo, ele enfrenta uma possível reação negativa dos membros mais radicais do seu próprio partido em relação ao Irã, caso faça concessões a Teerã.
Trump afirmou que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear com seu urânio altamente enriquecido. Teerã nega ter planos de desenvolver um arsenal nuclear. Os lados também divergem em outras questões, como as exigências de Teerã para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros. O Irã também quer que os EUA suspendam o bloqueio aos seus portos, imposto depois que Teerã bloqueou efetivamente o Estreito de Ormuz no início da guerra.
A guerra de Israel no Líbano contra a milícia Hezbollah, apoiada pelo Irã, é outro obstáculo para um acordo. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, disse no domingo que ordenou que as tropas avançassem ainda mais no Líbano na batalha contra o Hezbollah. Netanyahu ordenou na segunda-feira que os militares atacassem alvos nos subúrbios do sul de Beirute, capital do Líbano, um reduto do Hezbollah. Seu gabinete acusou o Hezbollah de repetidas violações do cessar-fogo acordado no final de abril.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, conversou com o presidente libanês Joseph Aoun e com Netanyahu sobre as negociações diplomáticas entre Israel e Líbano e propôs um plano para permitir uma ‘desescalada gradual’, disse um funcionário americano.”
Analisando a matéria chega-se a conclusão que não há vontade política real de todos os envolvidos para encerrar o conflito.
“As grandes conquistas da humanidade foram obtidas conversando, e as grandes falhas pela falta de diálogo” – Stephen Hawking – físico teórico, cosmólogo e autor britânico, reconhecido internacionalmente por sua contribuição à ciência, sendo um dos mais renomados cientistas do século.

