Quantos rios irei navegar
rumo ao mar?
Quantos mares irei singrar
até os oceanos?
Sou as ondas azuis a marear dias de luz.
Sou a espuma das correntezas translucidas.
Quantos gritos de espanto
irei sufocar?
Quantas lágrimas de desencanto
irei derramar?
Sou o minuano
atravessando por entre frestas.
Sou o Sol do outono
no céu plúmbeo a iluminar.
Quantos campos irei lavrar
para a colheita acontecer?
Quantos ideais irei semear
para a primavera florescer?
Sou a floração de utopias
e inusitados ritmos em canções.
Sou o lavrador das estrelas cadentes
suspensas no ar.
Quantos peraus irei escalar
para marcar travessias e serranias?
Quantas nebulosas geladas irei atravessar
para o céu vislumbrar?
Sou a força do arremesso dos cavalos chucros
na pradaria entre araucárias.
Sou o estralar da chama ígnea do nó de pinho
incendiando o inverno.
Quantas vezes direi que te amo?
Quantas estradas terei que partilhar?
Sou o encanto de um sonho sonhado.
Sou a magia florindo afetos.
Quantas dias ou noites ainda irei
vasculhar a imensidão?
Quantas luas se passarão até que
mergulhe eu em meu o coração?
Sou o encontro nos desencontros.
Sou a música do meu olhar.

