Graça, misericórdia e paz da parte de Deus Pai, de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.
Queridos irmãos e irmãs em Cristo, diz o salmista no Salmo 119.65-66, 72 – NTLH: “(65)Ó Senhor Deus, tu cumpriste a tua promessa e tens sido bom para mim, este teu servo. (66) Dá-me sabedoria e conhecimento, pois confio nos teus mandamentos… (72) A tua lei vale muito mais para mim do que toda a riqueza do mundo.” E ainda o próprio Senhor Jesus bondosamente nos diz em Mateus 9.12b-13: “(12b) — Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. (13) Vão e procurem entender o que quer dizer este trecho das Escrituras Sagradas: “Eu quero que as pessoas sejam bondosas e não que me ofereçam sacrifícios de animais.” Porque eu vim para chamar os pecadores e não os bons.”
Lembremo-nos que vivemos em um tempo em que a aparência muitas vezes vale mais do que a realidade. Muitas pessoas procuram parecer felizes sem estar felizes, parecer fortes sem serem fortes, parecer espirituais sem viverem uma verdadeira comunhão com Deus. As redes sociais nos ensinaram a mostrar apenas aquilo que queremos que os outros vejam. Mas existe um problema quando essa mentalidade entra na vida cristã.
Eis um fato perturbador que atinge a nossa vida e a torna totalmente vazia e sem sentido que é o fato que até: Podemos até enganar pessoas. Podemos enganar amigos. Podemos enganar familiares. Podemos até enganar o pastor. Mas jamais conseguiremos enganar Deus. Ele vê o coração. Ele conhece nossos pensamentos. Ele sabe quando nossa fé é verdadeira e quando ela é apenas uma aparência. Pergunta para cada um de nós responder: quão falso é, ou, quão verdadeira tem sido a nossa vida de fé?
Os textos de hoje (Sl 119.65-72 -Os 5.15-6.6 – Rm 4.13-25 – Mt 9.9-13), nos confrontam com uma verdade muito séria: Cristo pagou um preço altíssimo para nos salvar. Não pertencemos mais a nós mesmos. Pertencemos a Ele. Por isso, nossa fé não pode ser fingida. Nossa fé precisa ser verdadeira, viva e demonstrada na prática diária. Não somos salvos pelas obras, mas a fé salvadora produz obras como reflexo da ação e frutos do Espírito Santo em nós. Não somos salvos pelas ações, mas a verdadeira fé produz ação. Como ensinaram os Reformadores, as boas obras não são a causa da salvação, mas são o fruto inevitável da fé. Por isso refletiremos sobre esta verdade: Jesus morreu por causa dos nossos pecados, o preço foi alto, agora pertencemos a Ele, por isso não podemos viver uma fé fingida.
Primeiro é importante entendermos que Deus não se agrada de uma fé apenas de aparência. O profeta Oséias apresenta uma situação muito parecida com a que vemos ainda hoje. O povo de Israel estava passando por sofrimento por causa dos seus pecados. Então, diante da dor, o povo dizia: “Voltemos para o Senhor.” (Os 6.1 – NTLH). À primeira vista parece arrependimento. Mas Deus revela o problema. Ele diz: “O amor que vocês têm é como a neblina da manhã, como o orvalho que logo desaparece.” (Os 6.4 – NTLH). Mais tarde Jesus durante a sua pregação no sermão do monte (Mateus capítulo 5 até o capítulo 7), reforça exatamente isso: Deus não vê aparências, ele vê a alma e o que está no teu coração.
Ou seja, o povo chorava, fazia promessas, demonstrava emoção, mas logo voltava aos mesmos pecados. Era uma fé superficial. Uma fé de momento. Uma fé de aparência. Assim como muitos da igreja também fazem hoje em dia. Como se diz no dito popular: “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento.” Mas ao povo por meio do profeta Oseias, Deus declara: “Eu quero que vocês me amem e não que me ofereçam sacrifícios; quero que me conheçam e não que me tragam ofertas queimadas.” (Os 6.6 – NTLH). O Senhor não estava rejeitando os sacrifícios instituídos por Ele. O problema era que os sacrifícios estavam sendo oferecidos sem arrependimento verdadeiro. Sem fé. Sem transformação. Sem amor. Quantas vezes isso também acontece conosco? Podemos vir/ir ao culto. Podemos cantar os hinos. Podemos participar da liturgia. Podemos conhecer a doutrina correta de cor e salteado. Mas será que nossa vida durante a semana reflete aquilo que confessamos no domingo? Será que nossa fé aparece em casa? No trabalho? No trato com a esposa? Com o marido? Com os filhos? Com os vizinhos? Deus não procura atores religiosos. A vida de fé com fé verdadeira não tem espaço para fingimento, ou seja, ou cremos e submetemos a nossa vida e ações 100% sob o poder de Deus ou não temos fé, não existe meios termos com relação a fé.
Eu preciso entender que Deus procura pecadores arrependidos que confiam em Cristo, é por isso que somos chamados para sermos cristão, somo doentes, enfermos terminais por causa do pecado que habita em nós.
Segundo pondo importante é o fato que Deus vê aquilo que ninguém mais vê. O Salmo 119 nos lembra que Deus trabalha em nossa vida até mesmo através das dificuldades. O salmista declara: “Foi bom para mim ter sofrido, pois assim aprendi os teus mandamentos.” (Sl 119.71 – NTLH). Essa é uma declaração impressionante. Normalmente queremos fugir do sofrimento. Mas muitas vezes Deus usa as tribulações para arrancar as máscaras que colocamos diante dos outros. A doença. A perda. A luta. A crise. A dor. Tudo isso revela quem realmente somos. Quando tudo vai bem, é fácil parecer um bom cristão. Mas quando a tempestade chega, aquilo que está dentro do coração aparece.
Aqui sou levado a dizer que os pregadores que só as pessoas ensinam a buscar as bençãos e a vitória não são fiéis a Palavra. Isso não é a essência da fé bíblica, esses pregadores são falsos profetas, pois minimizam a real situação do pecador caído e o ensinam a viver numa falsa bolha de fé. Ensinam e enganam as pessoas a viver como se Deus fosse só um benfeitor das bençãos e obrigado a atender as minhas vontades. Não e isso que a bíblia ensina. A bíblia ensina que a situação do pecado é terrível e via para o inferno se não crer na graça que oferece perdão e vida nova.
É preciso entender que nas dores e justamente nesses momentos que Deus nos chama ao arrependimento e à confiança. O sofrimento pode ser um instrumento pelo qual Deus nos conduz novamente à Sua Palavra. O salmista compreendeu isso. Por isso ele diz: “Os ensinamentos que tens dado são mais valiosos para mim do que milhares de peças de ouro e de prata.” (Sl 119.72 – NTLH). O mundo valoriza riquezas. Deus valoriza um coração que ouve Sua Palavra.
Terceiro ponto importante é que Jesus veio chamar pecadores. No Evangelho encontramos uma das cenas mais belas do ministério de Jesus. Mateus era cobrador de impostos. Naquele tempo isso significava corrupção, exploração e desprezo social. Era considerado um traidor. Um pecador público. Alguém que ninguém imaginava ver entre os discípulos. Mas Jesus passa por ele e diz: “Venha comigo.” (Mt 9.9 – NTLH). E Mateus se levanta e segue Jesus. Que maravilha! Jesus não escolhe os perfeitos. Jesus não chama os justos. Jesus chama pecadores. Pouco depois Jesus está sentado à mesa com cobradores de impostos e outros pecadores.
Os fariseus ficam indignados. Então Jesus responde: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.” (Mt 9.12 – NTLH). E continua: “Eu vim para chamar os pecadores e não os bons.” (Mt 9.13 – NTLH). Essa palavra é um consolo enorme. Porque todos nós somos pecadores. Todos nós falhamos. Todos nós carregamos pecados escondidos. Todos nós temos áreas da vida que precisam de arrependimento. Jesus não veio procurar pessoas que se consideram perfeitas. Ele veio buscar pecadores que reconhecem sua necessidade da graça. A fé verdadeira começa quando paramos de fingir que somos bons e confessamos que precisamos de Cristo.
Quarto ponto importante é reconhecermos que somos salvos somente pela fé. O texto de Romanos nos leva ao centro do Evangelho. Paulo fala de Abraão. Ele foi salvo não por suas obras, mas pela fé. Paulo escreve: “Abraão creu em Deus, e por isso Deus o aceitou.” (Rm 4.22 – NTLH). A promessa da salvação nunca foi baseada em méritos humanos. Nunca foi baseada em desempenho religioso. Nunca foi baseada em boas obras. A salvação sempre foi pela graça. Sempre pela fé. Sempre por causa de Cristo. Paulo conclui dizendo: “Jesus foi entregue à morte por causa dos nossos pecados e foi ressuscitado para que fôssemos aceitos por Deus.” (Rm 4.25 – NTLH). Aqui está o coração do cristianismo. Jesus morreu pelos nossos pecados. Tão logo, aqui morre a tese que de que alguns são predestinados para serem condenado e outros para a Salvação. O preço do resgate foi alto. Altíssimo. O Filho de Deus carregou nossa culpa. Sofreu nossa condenação. Recebeu sobre si a ira que nós merecíamos. Derramou Seu sangue na cruz. E ressuscitou para nossa justificação. Portanto, pertencemos a Ele. Fomos comprados. Fomos resgatados. Fomos redimidos. Não somos mais donos da nossa própria vida. Cristo é o nosso Senhor.
Quinto: Fé e ação – a vida prática da fé – Aqui precisamos tomar cuidado com dois erros. O primeiro erro é pensar que somos salvos pelas obras ou coparticipação nas obras. A Bíblia rejeita isso. O segundo erro é pensar que uma pessoa pode ter fé verdadeira sem que sua vida demonstre essa fé. A Bíblia também rejeita isso. A teologia luterana sempre ensinou que as boas obras são fruto da fé. Martim Lutero dizia que a fé é algo vivo, ativo e poderoso. Ela não consegue permanecer sem produzir frutos. Uma macieira produz maçãs porque é uma macieira. Ela não se torna macieira porque produz maçãs. Da mesma forma, o cristão pratica boas obras porque foi transformado por Cristo. As obras não criam a fé. A fé produz as obras. A ação é resultado da fé. A fé verdadeira aparece na prática diária. Quando perdoamos. Quando ajudamos. Quando falamos a verdade. Quando honramos nosso casamento. Quando educamos os filhos na Palavra. Quando combatemos o pecado. Quando servimos ao próximo. Quando buscamos viver segundo a vontade de Deus. Não para sermos salvos. Mas porque já fomos salvos.
Conta-se a história de um homem que comprou uma fazenda antiga. Ao visitar a propriedade, encontrou um poço artesiano muito valioso. Mas o poço estava completamente coberto por mato, sujeira e entulho. Um visitante olhou para aquilo e disse: “Esse poço não vale nada.” Mas o novo proprietário respondeu: “Você está olhando a superfície. Eu sei o que existe lá embaixo.” Durante semanas ele trabalhou removendo a sujeira. Quando terminou, água limpa e abundante voltou a jorrar. Assim também é a obra de Cristo. Por natureza estamos cobertos pelo pecado. Cheios de sujeira espiritual. Mas Cristo nos comprou com Seu sangue. Ele vê aquilo que podemos nos tornar pela Sua graça. Ele nos limpa. Perdoa. Transforma. Renova. E então a água viva da fé começa a fluir em nossa vida. Não para impressionar pessoas. Mas para glorificar a Deus.
Queridos irmãos, hoje a Palavra nos convida a fazer algumas perguntas sinceras. Minha fé é apenas aparência? Sou cristão apenas no domingo? Existe alguma área da minha vida em que estou tentando enganar a Deus? Tenho tratado o pecado com seriedade? Tenho vivido como alguém que pertence a Cristo? Lembremos: Jesus vê o coração. Mas também lembremos: Jesus ama pecadores e quer que se arrependam do seu mau caminho. Ele chamou Mateus. Ele restaurou Pedro. Ele perdoou Davi. Ele recebeu o ladrão na cruz. E Ele continua recebendo hoje todo aquele que se arrepende e crê. A resposta não é fingir melhor. A resposta é voltar para Cristo. A resposta é arrepender-se. A resposta é confiar novamente no Evangelho. A resposta é viver diariamente na graça recebida no Batismo.
Hoje ouvimos que Deus não deseja uma fé fingida. Ouvimos que Ele conhece nosso coração. Ouvimos que Jesus veio chamar pecadores. Ouvimos que somos justificados pela fé. E ouvimos que a fé verdadeira produz frutos visíveis. Jesus morreu por causa dos nossos pecados. O preço foi alto. Muito alto. Seu sangue foi derramado por nós. Sua cruz pagou nossa dívida. Sua ressurreição garantiu nossa salvação. Agora pertencemos a Ele. E justamente porque pertencemos a Ele, não podemos viver uma fé de aparência. Que o Espírito Santo fortaleça em nós uma fé verdadeira. Uma fé que confia somente em Cristo. Uma fé que produz amor. Uma fé que gera obediência. Uma fé que se manifesta na vida diária. Uma fé sem fingimento. Para a glória de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Amém.
JESUS MORREU POR CAUSA DOS NOSSOS PECADOS. O PREÇO FOI ALTO. AGORA PERTENCEMOS A ELE; POR ISSO, NÃO PODEMOS VIVER UMA FÉ FINGIDA.
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique

