Queridos irmãos e irmãs em Cristo, que possamos diariamente entre as dúvidas e medos, dizer junto com o Salmista Davi: “(7) Quando estou cercado de perigos, tu me dás segurança. A tua força me protege do ódio dos meus inimigos; tu me salvas pelo teu poder. (8) Tu cumprirás tudo o que me prometeste. O teu amor dura para sempre, ó Senhor Deus. Não abandones o trabalho que começaste. (Salmo 138.7-8)”.
Este clamor do salmista nos leva direto para um dilema que muitos que ainda não conhecem e não creem ainda em Jesus a se perguntar: “Quem é Jesus?” por que ele é declarado como o Salvador? Quem é Jesus? É uma dessas perguntas simples que revelam grandes verdades.
Muitos podem responder que Jesus foi um grande mestre, profeta ou exemplo de amor. Mas, no Evangelho de hoje, Jesus faz uma pergunta mais profunda: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” (Mt 16.15 – NTLH). Essa pergunta continua dirigida à Igreja e a cada um de nós. A pergunta agora é para você: Quem é Jesus para você? (responda para você, antes de seguir a leitura). Pedro responde: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo.” (Mt 16.16 – NTLH). Esta é a confissão central da fé cristã. Jesus não é apenas alguém importante. Ele é o Cristo, o Ungido de Deus, o Salvador prometido, o Filho do Deus vivo.
Também os outros textos bíblicos deste final de semana nos convidam a confiar nesta verdade, pois nos ajudam a compreender o significado dessa confissão. Vejamos: O Salmo 138 mostra um Deus fiel, que não abandona a obra de suas mãos. Isaías 51 chama o povo a olhar para a promessa de Deus. Romanos 11 contempla a profundidade da misericórdia e da sabedoria de Deus. E Mateus 16 nos leva ao centro: Jesus é o Cristo. E todas estas verdades nos levam então a Romanos 12.1 que mostra a resposta do cristão, conforme o Apóstolo Paulo: “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. (Romanos 12.1 – NTLH).” Portanto: Cristo é o Senhor: conhecê-lo, confiar nele e viver para a sua glória é a descrição perfeita da caminhada da fé do cristão. Para entendermos melhor vamos por partes.
- Deus não abandona a obra das suas mãos – O Salmo 138 começa: “Eu te agradeço de todo o coração; diante de todos os deuses eu canto hinos de louvor a ti. (Salmo 138.1 – NTLH).” O salmista não agradece porque sua vida é perfeita. Pelo contrário, afirma: “Quando estou cercado de perigos, tu me dás segurança. A tua força me protege do ódio dos meus inimigos; tu me salvas pelo teu poder.. (Salmo 138.7 – NTLH).” Veja: A fé bíblica não promete uma vida sem problemas. Ela promete um Deus que permanece conosco no meio dos problemas.
Talvez alguém esteja hoje você se sinta abatido e sem forças. Lembre-se que Deus está disponível para lhe ouvir em suas necessidades. Nada é desconhecido por Deus e nada será tão grave que Deus não possa nos ajudar. Sozinhos não temos saída, mas com o Pai, aí tudo tem solução.
O salmista não olha primeiro para os problemas. Ele olha para Deus. E termina dizendo: “Tu cumprirás tudo o que me prometeste. O teu amor dura para sempre, ó Senhor Deus. Não abandones o trabalho que começaste. (Salmo 138.8 – NTLH).”
Nossa segurança não está na nossa capacidade de permanecer firmes, mas na fidelidade daquele que nos sustenta. E essa fidelidade encontra sua expressão definitiva em Cristo. Quando Pedro confessa: “Tu és o Cristo”, ele está confessando aquele que veio realizar a obra de salvação prometida por Deus. - “Olhem para a rocha de onde foram cortados” – Isaías 51.1 diz: “O Senhor Deus diz: “Escutem, os que procuram a salvação, os que pedem a minha ajuda! Lembrem da rocha da qual foram cortados, da pedreira de onde foram tirados. (Isaías 51.8 – NTLH).”
E Deus continua: “Pensem no seu antepassado Abraão e em Sara, de quem vocês são descendentes.” Por que olhar para Abraão e Sara? Porque o povo precisava lembrar como Deus havia começado sua obra. A obra de Deus não começou hoje, mas a muito tempo. Humanamente, Abraão e Sara não tinham condições de garantir o futuro da promessa. Mas Deus prometeu, e Deus cumpriu. A esperança do povo não estava na força das circunstâncias, mas na fidelidade da promessa. Isso também vale para nós. Quando olhamos para nossa própria vida, vemos muitas limitações. Mas Deus nos chama a olhar para sua promessa. O mundo pergunta: “Você consegue?” A fé pergunta: “O que Deus prometeu?” E qual é a promessa definitiva de Deus? Ela tem um nome: Jesus Cristo. - A salvação pertence ao Senhor – Romanos 11 mostra Paulo contemplando a obra salvadora de Deus. Depois de explicar a graça, ele exclama: “Como são grandes as riquezas de Deus! Como são profundos o seu conhecimento e a sua sabedoria! (Romanos 11.33a – NTLH).” E conclui: “Pois todas as coisas foram criadas por ele, e tudo existe por meio dele e para ele. Glória a Deus para sempre! Amém!” (Romanos 11.36 – NTLH).” É preciso que nunca nós esqueçamos que: Tudo é dele, existe por meio dele e é para ele. Nós não somos o centro da história da salvação. Deus é o centro. A Bíblia não conta simplesmente como o ser humano encontrou Deus. Ela anuncia como Deus veio buscar o ser humano perdido. Isso faz toda a diferença, pois somos pecadores. Antes de Cristo, nós éramos pecadores sem esperança, mas com a promessa de Deus, o ser humano conheceu Cristo – este Cristo morreu por nós, e agora a humanidade desfruta do poder de ser achado pela Graça de Deus. Graça poderosa que nos faz confiar em Cristo. Uau! Veja só: nós não podíamos salvar a nós mesmos; Cristo realizou nossa salvação. Por isso Pedro não diz: “Eu descobri que Jesus é o Cristo… ele não falou, mas eu descobri…” Todavia, em vez de falar bobagens, cheio do poder da graça de Deus que lhe revelou ele simplesmente confessa: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” A salvação começa em Deus. O homem não pode fazer nada para merecer a Salvação, só desfrutar- Crer, isso basta e toda a graça de Deus então irá se manifestar em suas vida e ações. Veja, Deus age e nossa vida é moldada pelo poder de Deus.
- Então: “Quem vocês dizem que eu sou?” – No Evangelho, Jesus pergunta primeiro o que as pessoas diziam sobre ele. Depois pergunta: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” Pedro responde: “O senhor é o Messias, o Filho do Deus vivo.” Essa é a confissão da Igreja. Jesus é o Cristo. Ele não é apenas um mestre entre outros, nem simplesmente um exemplo de bondade. Ele é o Senhor e Salvador. Mas precisamos nos perguntar: Nossa vida demonstra que Jesus é realmente o nosso Senhor? A minha maneira de viver realmente expõe o que Jesus é para mim, ou vivo numa falsa fé? Podemos dizer “Jesus é o Senhor” e ainda viver como se nós mesmos fôssemos os senhores da nossa vida. Podemos confiar mais no dinheiro, no controle, na nossa capacidade ou nas circunstâncias do que em Cristo. A confissão de Pedro não é apenas uma frase. Ela reorganiza a vida. Se Jesus é o Cristo, então ele é o Senhor.
- Então: a fé vem de Deus – Jesus responde a Pedro: “Jesus afirmou: — Simão, filho de João, você é feliz porque esta verdade não foi revelada a você por nenhum ser humano, mas veio diretamente do meu Pai, que está no céu. (Mateus 16.17 – NTLH).” A fé não é uma conquista humana. Ela é dom(presente) de Deus. Por isso Paulo afirma em Romanos 10.17: “A fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem vem por meio da pregação a respeito de Cristo. (Romanos 10.17 – NTLH).” É pela Palavra que Deus nos conduz a Cristo. Por isso precisamos continuar ouvindo o Evangelho. Não precisamos apenas de novas informações. Precisamos continuamente ouvir que somos pecadores e que Cristo morreu e ressuscitou por nós. Precisamos ouvir novamente que Deus é fiel. Precisamos ouvir novamente: “Tu és o Cristo.”
6.Então agora vamos pensar com esta Ilustração: a âncora – Imagine um barco no meio de uma tempestade. As ondas são fortes e o vento sopra. O barco balança. Mas existe algo que pode mantê-lo firme: a âncora. A âncora não elimina a tempestade. Ela mantém o barco preso. Assim é nossa fé. Cristo não prometeu que jamais enfrentaríamos tempestades. Mas prometeu estar conosco. Nossa segurança não está na nossa força, inteligência ou capacidade de controlar o futuro. Estamos firmados em Cristo. Por isso podemos confessar: “Tu és o Cristo.” - Agora: “Por causa da grande misericórdia de Deus” – Agora chegamos a Romanos 12.1: “Portanto, meus irmãos, por causa da grande misericórdia divina, peço que vocês se ofereçam completamente a Deus como um sacrifício vivo, dedicado ao seu serviço e agradável a ele. Esta é a verdadeira adoração que vocês devem oferecer a Deus. (Romanos 12.1 – NTLH).” Paulo primeiro fala da misericórdia de Deus. Depois mostra a resposta do cristão. Essa é uma verdade central da fé luterana: Nós não servimos para comprar a salvação. Servimos porque fomos salvos. Não fazemos boas obras para conquistar a graça. Fazemos boas obras porque recebemos a graça. Não entregamos nossa vida para convencer Deus a nos aceitar. Vivemos para ele porque, em Cristo, Deus já nos recebeu. Cristo se entregou por nós na cruz. Por isso podemos entregar nossa vida a ele.
- Sabendo disto, agora vivemos uma vida oferecida a Deus – Paulo diz: “Ofereçam a si mesmos.” Não apenas algumas horas. Não apenas o domingo. A vida inteira pertence a Cristo. Nosso trabalho, família, tempo, recursos, palavras, decisões e dons. Mas nossa vida não é um pagamento pela salvação. Cristo já ofereceu o sacrifício perfeito. Nossa vida é resposta/reflexo da gratidão de um coração transformado. E Paulo continua falando dos diferentes dons: ensinar, servir, encorajar, contribuir, liderar e demonstrar misericórdia. A oferta viva de Romanos 12.1 se torna prática quando usamos aquilo que Deus nos deu para servir ao próximo. A pergunta não é: “Por que Deus deu mais dons a ele do que a mim?” Mas: “Como posso usar os dons que Deus me deu para servir a Cristo e ao próximo?”
Feito isso podemos concluir que ouvindo a voz de Jesus nos perguntando: “E vocês? Quem vocês dizem que eu sou?” Com Pedro, confessamos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” Essa confissão muda tudo.
Quando enfrentamos dificuldades, lembramos do Salmo 138: Deus não abandona a obra de suas mãos. Quando perdemos a esperança, lembramos de Isaías 51: Deus permanece fiel à sua promessa. Quando não compreendemos seus caminhos, adoramos com Romanos 11: “Como são grandes as riquezas de Deus!” Quando perguntam quem é Jesus, confessamos com Pedro: “Tu és o Cristo.” E quando perguntamos como devemos viver, ouvimos Romanos 12.1: “Por causa da grande misericórdia de Deus, ofereçam a si mesmos como uma oferta viva.” Não fazemos isso para sermos salvos. Fazemos porque fomos salvos. Não servimos para conquistar a graça. Servimos porque recebemos a graça. Não vivemos para que Deus finalmente nos aceites. Vivemos porque, em Cristo, Deus já nos aceitou. Portanto: Cristo é o centro. A graça é a fonte. A fé recebe. A vida responde. O serviço testemunha. E toda a glória pertence a Deus. Que o Senhor nos conceda a graça de não apenas dizer: “Tu és o Cristo”, mas viver como aqueles que realmente pertencem a Cristo. Que nossa vida, nossa família, nosso trabalho, nossos dons e nosso serviço proclamem aquilo que nossa boca confessa: Jesus Cristo é o Senhor! A ele seja a glória, hoje e sempre. Amém.
“E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. (Filipenses 4.7 – NTLH).” Amém!

