Graça, misericórdia e paz da parte de Deus, nosso Pai, e do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Amém.
Queridos irmãos e irmãs em Cristo! Diz nosso Deus por meio do profeta Isaías: “Meu povo, não tenha medo, nem fique apavorado! Não é verdade que desde o princípio eu sempre anunciei a vocês o que ia acontecer? Vocês são minhas testemunhas de que isso é verdade. Será que há outro deus além de mim? Não! Não existe outro protetor; e não conheço nenhum.” (Is 44.8)”. Também por meio da Carta aos Romanos Deus nos lembra que todas as suas criaturas esperam que aconteça logo a restauração plena do universo, Paulo escreve inspirado por Deus que: “(19) O Universo todo espera com muita impaciência o momento em que Deus vai revelar o que os seus filhos realmente são… (21) Um dia o próprio Universo ficará livre do poder destruidor que o mantém escravo e tomará parte na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. (22) Pois sabemos que até agora o Universo todo geme e sofre como uma mulher que está em trabalho de parto. (23) E não somente o Universo, mas nós, que temos o Espírito Santo como o primeiro presente que recebemos de Deus, nós também gememos dentro de nós mesmos enquanto esperamos que Deus faça com que sejamos seus filhos e nos liberte completamente. (Rm 8.19, 21-23 – NTLH).”
Por isso quem observa o mundo em que vivemos muitas vezes faz uma pergunta difícil: Se Deus reina, por que o mal continua existindo? Vemos guerras, violência, injustiça, corrupção, doenças, perseguições contra os cristãos e famílias destruídas pelo pecado. Em muitos casos somos levados a dizer: Deus não é justo nessa situação. Ou, às vezes, olhamos até mesmo para dentro da igreja e encontramos decepções. Também em nosso coração percebemos lutas diárias contra o pecado. Mesmo diante dessa realidade, muitos imaginam que Deus perdeu o controle da história. Outros pensam que o mal venceu. Há ainda aqueles que se decepcionam com Deus porque esperavam que, ao se tornarem cristãos, todos os problemas desapareceriam. E não desapareceram e nem desaparecerão, o que desaparece é a incredulidade. Por isso essas perguntas existenciais que nunca serão respondidas pelo ser humano se não ouvir e aceitar a Palavra como sendo uma carta de amor, uma carta de amor de um Pai para os seus filhos com a intenção de sanar as dúvidas e os deixar em segurança.
Se por um lado o mundo arruma metodologias para convencer, e até mesmo separar os bons dos maus, no Evangelho de hoje Jesus ensina exatamente o contrário na parábola do trigo e do joio. Enquanto durar este mundo, trigo e joio crescerão juntos. O Reino de Deus avança, mas o inimigo continua tentando destruir aquilo que Deus planta. Contudo, existe uma verdade que traz profundo consolo para a Igreja: Em meio ao joio, Deus preserva o seu trigo. Essa é a esperança proclamada por todos os textos deste domingo. (Textos – Sl 119.57-64 – Is 44.6-8 – Rm 8.18-27 – Mt 13.24-30,36-43, leia-os, são surpreendentes pedagógicos.).
- que coisa maravilhosa é ver que Deus preserva o seu trigo por meio da sua Palavra – isso fica claro no Salmo 119, o salmista declara: “Tu, ó Senhor Deus, és tudo o que eu tenho. (Sl 119.57).” Enquanto muitos colocam sua confiança nas riquezas, no poder ou nas próprias capacidades, o povo de Deus encontra segurança no Senhor e na sua Palavra. E quando faz isso perde os medos, termina com as dúvidas e cresce a esperança que só vai aumentando na certeza de que Deus realmente nos ama que nos Salva em Cristo Jesus.
Vejamos por exemplo na sequência onde o salmista afirma que se apressa em obedecer aos mandamentos do Senhor: “Com toda a pressa e sem demora, procuro obedecer aos teus mandamentos. (Sl 119.60 – NTLH)”. Isso não significa perfeição. Ele sabe que é pecador. Porém, sabe também que somente Deus pode sustentá-lo. Hoje acontece o mesmo. O mundo tenta nos convencer de que a verdade depende da opinião de cada pessoa. O pecado é chamado de liberdade. A mentira recebe o nome de tolerância. Aquilo que Deus condena é apresentado como algo normal. Esse é o joio crescendo. Satanás continua espalhando falsas doutrinas, incredulidade e indiferença. Seu objetivo continua sendo o mesmo: afastar as pessoas de Cristo. Mas Deus preserva o seu povo. Ele faz isso por meio da sua Palavra.
Cada vez que ouvimos o Evangelho, cada vez que lembramos do nosso Batismo, cada vez que recebemos a Santa Ceia com fé, Cristo fortalece aqueles que pertencem a Ele. É assim que o trigo permanece vivo. Não porque seja forte. Mas, porque o que mantem o trigo é o próprio Pai. Porque o Agricultor continua cuidando da sua plantação. - Com isso compreendemos que Deus preserva o seu trigo porque somente Ele governa a história – O profeta Isaías anuncia uma mensagem extraordinária. O Senhor declara: “Eu sou o Primeiro e o Último; além de mim não existe outro deus. (Is 44.6b – NTLH).” Deus está no controle, não precisamos dar ouvidos aos ventos contrários, Deus está no comando. O texto de Isaias é muito importante, pois Israel vivia cercado pela idolatria das nações, Deus lembra ao seu povo que nenhum ídolo governa a história. Tanto é que Deus mesmo desafia que se existisse de fato um Deus que viesse e se apresentasse perente Ele. Mas, claro que não teve, não tem. Só há um Deus verdadeiro. Hoje também existem muitos ídolos. O dinheiro. O sucesso. O prazer. A tecnologia. O poder político. A própria razão humana. Todos prometem segurança, mas nenhum pode salvar. Somente Cristo salva. Por isso Deus pergunta: “Existe outro Deus além de mim? Não existe. (Is 44.8 – NTLH).” Vejamos que Deus declara que é perda de tempo buscar fora da Palavra bíblica isso é vazio, não tem como recebermos ajuda, é ilusão humana.
Mesmo que o mundo pareça caótico. Onde as notícias frequentemente assustam. Os cristãos sofrem perseguições em muitos lugares. Às vezes, até pensamos que o mal está vencendo. Mas Deus continua sentado em seu trono. Nada foge ao seu conhecimento. Nada escapa ao seu poder. Nada impedirá o cumprimento das suas promessas. É exatamente isso que Jesus ensina na parábola. Com relação a Parábola: O dono do campo sabe perfeitamente que existe joio entre o trigo. Ele não foi surpreendido. Ele conhece a situação. E determina o momento certo para a colheita. Deus nunca perde o controle da sua lavoura. - Contudo, mesmo que O joio existe, isso é, o mal, mas o mal não vencerá – Na Parábola, Jesus explica que o campo representa o mundo. A boa semente são os filhos do Reino. O joio representa os filhos do maligno. O inimigo é Satanás. Essa explicação elimina muitas falsas expectativas. Jesus nunca prometeu um mundo perfeito antes da sua volta. Ele nunca prometeu que a Igreja viveria sem perseguições. Nunca prometeu que os cristãos deixariam de sofrer. Ao contrário. Ele afirma claramente que trigo e joio crescerão juntos. Isso significa que veremos pessoas rejeitando o Evangelho. Veremos falsas religiões. Falsos mestres. Injustiças. Violência. Escândalos. Tudo isso faz parte da realidade deste mundo caído. Mas existe outro detalhe importante. Os servos perguntam ao dono do campo: “Queres que arranquemos o joio? (Mt 13.28 – NTLH).” A resposta é surpreendente. “Não.” Porque, tentando arrancar o joio antes do tempo, também poderiam destruir o trigo. Isso revela a paciência de Deus. Ele continua chamando pecadores ao arrependimento. Continua anunciando o perdão. Continua oferecendo salvação. Enquanto dura o tempo da graça, Cristo continua reunindo pessoas para o seu Reino. Por isso a Igreja continua anunciando o Evangelho. Nossa missão não é destruir pessoas. Nossa missão é anunciar Cristo crucificado. O julgamento pertence ao Senhor. A proclamação do Evangelho pertence à Igreja.
- E mesmo que até o Universo gema ansioso pela volta de Cristo, Deus o faz esperara para preservar o seu trigo mesmo em meio ao sofrimento afim de fazer a colheita no tempo certo – É aqui que Romanos 8 traz enorme consolo. Paulo afirma: “Os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória que será revelada em nós. (Rm 8.18 – NTLH).” Os cristãos sofrem. E sofrem de muitas maneiras. Doença. Luto. Perseguição. Problemas financeiros. Conflitos familiares. Solidão. Envelhecimento. Fraquezas espirituais. Além disso, carregamos diariamente a luta contra nossa própria natureza pecaminosa. Quantas vezes queremos fazer o bem e fracassamos! Quantas vezes o pecado nos entristece! Mas Paulo não minimiza esse sofrimento. Ele aponta para algo maior. Existe uma glória futura. A criação inteira aguarda esse dia. Nós aguardamos esse dia. E o Espírito Santo também participa dessa esperança, intercedendo por nós para que ninguém se perca. Quando nem sabemos como orar, o Espírito intercede por nós. Que conforto! Nossa salvação não depende da força das nossas orações. Nem da intensidade dos nossos sentimentos. Depende da fidelidade de Deus.
Mesmo quando nossas palavras faltam, o Espírito leva diante do Pai aquilo que precisamos. Mais uma vez vemos como Deus preserva o seu trigo. Não somos sustentados pela nossa força. Somos sustentados pela graça. - Te convido a entender que Cristo é o verdadeiro trigo que venceu por nós – Ao ouvir essa parábola, alguém pode pensar: “Será que eu realmente sou trigo?” Essa é uma pergunta importante. Se olharmos apenas para nós mesmos, veremos muito pecado. Veremos orgulho. Impaciência. Medo. Falta de amor. Falta de confiança. Nenhum de nós pode afirmar diante de Deus que merece fazer parte da boa plantação. É aqui que o Evangelho nos lembra quem de fato é importante: Jesus é o verdadeiro Filho obediente. Ele nunca foi contaminado pelo pecado. Mesmo assim, foi tratado como se fosse o pior dos pecadores. Na cruz, carregou o castigo que era nosso. Recebeu sobre si a condenação que merecíamos. Ali venceu Satanás. Ali derrotou o pecado. Ali destruiu o poder da morte. Depois ressuscitou gloriosamente. Agora oferece gratuitamente perdão e vida eterna a todos os que creem. Por isso que ao sermos unidos ao corpo de Cristo por meio do Batismo, não vivemos mais como donos das nossas decisões, mas vivemos para honrar a Cristo o nosso Salvador, pois fomos também unidos à sua morte e ressurreição. Então com por ele iremos receber uma nova vida. É importante lembrar que continuamos pecadores, mas agora somos pecadores perdoados. Continuamos lutando contra o pecado, mas pertencemos a Cristo. Continuamos vivendo em meio ao joio, mas somos preservados pelo Bom Pastor. Essa é a nossa esperança.
Podemos então concluir que a parábola e os demais textos terminam, mas apontando para o futuro. Jesus afirma que chegará o dia da colheita. Os anjos reunirão todos. O joio será separado. Os que rejeitaram a Cristo enfrentarão o juízo eterno. Mas os filhos do Reino “brilharão como o sol no Reino do Pai”. Essa promessa sustenta nossa caminhada. Hoje ainda existe joio. Hoje ainda existem lágrimas. Hoje ainda existem cruzes. Hoje ainda existem sofrimentos. Mas Cristo continua cuidando da sua lavoura. Ele preserva seu povo por meio da Palavra. Fortalece-o pelo Batismo e pela Santa Ceia. Consola-o pelo Espírito Santo. E conduz cada um dos seus até o grande dia da colheita.
Portanto, não desanimemos quando enxergarmos o joio crescendo. Não percamos a esperança quando o mal parecer forte. Não abandonemos a Palavra quando surgirem dificuldades. Nosso Senhor continua reinando. O Agricultor não abandonou o campo. A colheita virá. E naquele dia veremos que nenhuma das promessas de Deus falhou. Até lá, permaneçamos firmes em Cristo, certos de que em meio ao joio, Deus preserva o seu trigo. Em nome de Jesus. Amém.
“(7) E a paz de Deus, que ninguém consegue entender, guardará o coração e a mente de vocês, pois vocês estão unidos com Cristo Jesus. (8) Por último, meus irmãos, encham a mente de vocês com tudo o que é bom e merece elogios, isto é, tudo o que é verdadeiro, digno, correto, puro, agradável e decente. (9) Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto com as minhas palavras como com as minhas ações. E o Deus que nos dá a paz estará com vocês. (Fp 4.7-9).” Amém!

