Amados irmãos e irmãs em Cristo Jesus, “Não ponham a sua confiança em pessoas importantes, nem confiem em seres humanos, pois eles são mortais e não podem ajudar ninguém (Salm146.3 – NTLH) … Pois, (9) … vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. (10) Antes, vocês não eram o povo de Deus, mas agora são o seu povo; antes, não conheciam a misericórdia de Deus, mas agora já receberam a sua misericórdia. (1 Pedro 2.9-10 – NTLH). A todos vocês desejo a paz do Senhor ressuscitado esteja com todos vocês!
Neste 5º Domingo de Páscoa, a Igreja continua a celebrar não apenas o fato da ressurreição, mas as implicações profundas desse evento para a nossa vida. Cristo vive — e porque Ele vive, nós também vivemos. Cristo reina — e porque Ele reina, nós pertencemos a um Reino eterno. Isso não são afirmações filosóficas, mas verdade irrefutáveis. O mundo verá estas verdades acontecerem visivelmente quando Jesus que foi assunto ao céu, voltar para buscar os seus servos e os receber em seu reino.
Os textos bíblicos que ouvimos hoje: (Sl 146 – At 6.1-9 – 1Pe 2.2-10 – Jo 14.1-14), nos conduzem a uma reflexão profunda sobre identidade, confiança, missão e salvação. Eles respondem a perguntas essenciais da vida cristã: Quem somos? Em quem confiamos? Para que existimos? E como chegamos a Deus?
O Salmo 146 nos chama a colocar nossa confiança no Senhor. O texto de Atos 6 nos mostra a Igreja organizada no serviço. A carta de 1 Pedro declara quem somos diante de Deus: povo escolhido. E o Evangelho de João nos apresenta a declaração mais exclusiva e consoladora de Cristo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (João 14.6 – NTLH).
Hoje, todas essas verdades se unem em uma única mensagem: somos povo de Deus por meio de Jesus Cristo, e somos chamados a viver essa identidade com fé, serviço e fidelidade. Não um povo qualquer, mas um povo que comprado por um valor tão alto que só Deus pode pagar e, fomos pagos com o Santo e precioso Sangue do Senhor Jesus.
A verdadeira confiança: o Senhor reina (Salmo 146), o Salmo 146 começa com um convite à adoração: “Aleluia! Que todo o meu ser te louve, ó Senhor!”. É um chamado para louvar ao Senhor enquanto há vida. Mas o salmista também faz um alerta muito sério: “Não confiem nos poderosos, nem nos seres humanos, que não podem ajudar” (Sl 146.3 – NTLH). Já falei sobre isso semana passada, pois facilmente nos perdemos e perdemos a razão depositando em outro pecador a confiança e esperança que deveria estar apenas Cristo Jesus.
Não confiar em pessoas é um lembrete de que; “Todos pecaram e estão afastados da presença gloriosa de Deus. 24Mas, pela sua graça e sem exigir nada, Deus aceita todos por meio de Cristo Jesus, que os salva. (Rm 3.23 – 24) NTLH).” Essa palavra continua extremamente atual. Vivemos em uma sociedade que deposita esperança em líderes, sistemas políticos, estabilidade econômica, tecnologia, influência social. Mas tudo isso é limitado. O ser humano é finito. Sua força acaba. Seus planos falham. Sua vida passa. Tudo tem o seu tempo, cada coisa acontece no tempo pré-determinado por Deus.
O salmista nos lembra: “Quando eles morrem, voltam ao pó, e naquele mesmo dia acabam todos os seus planos” (Sl 146.4 – NTLH). Em contraste com isso, Deus é eterno, fiel e ativo: “O Senhor Deus reina para sempre” (Sl 146.10 – NTLH). E mais: Ele não é um rei distante. Ele é um Deus que age com compaixão: Ele faz justiça aos oprimidos, os fazendo viver com a certeza de que toda a maldada será condenada -Dá alimento aos famintos, também Deus nos sustenta, tanto aos seus filhos como aos incrédulos, mas aos seus, a alegria se transforma em gratidão – Liberta os presos, até mesmos os aprisionados pela culpa, medo angústia, são libertos e encontram paz em Deus. Abre os olhos dos cegos -a alegria de ver pelos olhos da fé é algo que modifica a pessoa e gera uma esperança plena – Deus levanta os abatidos, como diz: “… O Senhor é o Deus Eterno, ele criou o mundo inteiro. Ele não se cansa, não fica fatigado; ninguém pode medir a sua sabedoria. (29) Aos cansados ele dá novas forças e enche de energia os fracos. (30) Até os jovens se cansam, e os moços tropeçam e caem; (31) mas os que confiam no Senhor recebem sempre novas forças. Voam nas alturas como águias, correm e não perdem as forças, andam e não se cansam.” (Is 40.28b-31 – NTLH)”. Esse é o Deus em quem confiamos. E aqui já começamos a entender nossa identidade: somos povo daquele que reina para sempre. Nossa segurança não está em circunstâncias, mas no Senhor.
Por isso, nós como Igreja vivemos em serviço (Atos 6.1-9). O texto de Atos nos mostra algo muito importante: a Igreja primitiva não era perfeita. Ela enfrentava desafios reais. Havia uma reclamação: as viúvas de fala grega estavam sendo esquecidas na distribuição diária de alimentos. Isso poderia gerar divisão, ressentimento e até ruptura na comunidade. Mas o que vemos é uma Igreja madura, guiada pelo Espírito Santo. Uma igreja que não olha para os interesses dos mais próximos, mas cm olhar de servidão, servindo para que a igualdade e o amor estivessem com todos e a todos fosse dada a riqueza da Graça de Deus.
Os apóstolos não ignoram o problema. Também não abandonam sua vocação principal. Eles tomam uma decisão sábia: delegam o serviço a homens cheios do Espírito e de sabedoria. Assim surgem os primeiros diáconos. Isso nos ensina algumas lições preciosas: Primeiro: a Igreja é um corpo vivo. Problemas existem, mas não precisam destruir a comunhão. Segundo: o serviço é essencial na vida cristã. Cuidar dos necessitados não é opcional, é parte da missão. Terceiro: Deus usa pessoas comuns para realizar sua obra. Os diáconos não eram figuras de destaque, mas eram fiéis. E o resultado? “A palavra de Deus continuava a se espalhar” (At 6.7 – NTLH). Quando a Igreja vive sua vocação — Palavra e serviço — ela cresce. Isso se conecta diretamente com o que Pedro dirá: somos sacerdotes. E sacerdotes servem.
Por isso a nossa identidade em Cristo é o servir ao próximo (1 Pedro 2.2-10). Aqui encontramos o coração da mensagem de hoje. Importante destacar que Pedro escreve a cristãos que estavam sofrendo, sendo perseguidos, vivendo como estrangeiros neste mundo. E o que ele faz? Ele não começa falando de dificuldades. Ele começa lembrando quem eles são. Do mesmo modo: Que somos nós hoje? O que Deus tem para nós? A resposta está também nas palavras de Pedro que diz que: “Vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação santa, o povo que pertence a Deus” (1Pe 2.9 – NTLH). Essa identidade é extraordinária. Raça escolhida — Isso significa que nossa relação com Deus começa na graça. Não fomos nós que escolhemos Deus primeiro. Foi Ele quem nos escolheu. Não somos nós que optamos por Jesus, é Ele que nos escolheu. Sim! Em Cristo somos Sacerdotes do Rei.
Sacerdotes do Rei — No Antigo Testamento, o sacerdote era aquele que tinha acesso a Deus e intercedia pelo povo. Agora, em Cristo, todos nós temos acesso direto ao Pai. Podemos orar, interceder, servir. Nação santa — Não significa perfeição, mas separação. Fomos chamados para viver de modo diferente, refletindo o caráter de Deus. Povo de propriedade exclusiva de Deus — Nós pertencemos a Ele. Nossa identidade não vem do mundo, mas do Senhor. E tudo isso tem um propósito: “para anunciar as obras maravilhosas de Deus” (1Pe 2.9 – NTLH).
Ou seja, fomos escolhidos para proclamar. Nossa vida deve apontar para Deus. Pedro continua: “Antes vocês não eram povo de Deus, mas agora são povo dele; antes não conheciam a misericórdia de Deus, mas agora já receberam a sua misericórdia” (1Pe 2.10 – NTLH). Isso é graça pura. Não havia mérito. Não havia direito. Havia apenas misericórdia. E essa verdade transforma tudo.
Tão logo, um fato: Jesus: o único caminho ao Pai (João 14.1-14), e agora que chegamos ao Evangelho. Ali vemos que Jesus está com seus discípulos em um momento delicado. Ele fala de sua partida. O coração deles está perturbado. Então Ele diz: “Não fiquem aflitos. Creiam em Deus e creiam também em mim” (Jo 14.1 – NTLH). Jesus aponta para a fé. Ele também promete um lugar: “Na casa do meu Pai há muitos quartos” (Jo 14.2 – NTLH). Mas o ponto central vem quando Tomé pergunta: “Como podemos saber o caminho? (João 14.5 – NTLH).” E Jesus responde: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém pode chegar até o Pai a não ser por mim” (Jo 14.6 – NTLH). Essa é uma das declarações mais exclusivas de toda a Escritura. Jesus não diz “eu mostro o caminho”. Ele diz: “Eu sou o caminho.” Isso significa: Não existe outro meio de salvação – Não existe outro acesso ao Pai – Não existe outra verdade salvadora. Confirmando o que diz em Atos: “A salvação só pode ser conseguida por meio dele. Pois não há no mundo inteiro nenhum outro que Deus tenha dado aos seres humanos, por meio do qual possamos ser salvos. (Atos 4.12 – NTLH)”. Somente Cristo. Em um mundo que valoriza a ideia de que “todos os caminhos levam a Deus”, Jesus afirma o contrário. Mas essa exclusividade não é arrogância. É graça. Porque o caminho foi aberto por Ele, ao custo da cruz. Ele também diz: “Quem crê em mim fará também as coisas que eu faço” (Jo 14.12 – NTLH). Ou seja, aqueles que pertencem a Cristo participam da sua missão.
Pensando nisso, cabe refletir que: Certa vez, um homem precisava atravessar um grande rio caudaloso. Não havia ponte, e a correnteza era forte demais para nadar. Ele tentou encontrar outros meios: procurou pedras, tentou construir algo improvisado, mas nada funcionava. Até que encontrou um barqueiro experiente, que conhecia aquele rio há muitos anos. O barqueiro disse: “Entre no barco. Eu te levarei com segurança.” O homem hesitou. Pensou em tentar sozinho mais uma vez. Mas finalmente decidiu confiar. Entrou no barco — e chegou ao outro lado em segurança. Irmãos, Jesus é esse barqueiro. Este mundo é o rio. E nós não conseguimos atravessar sozinhos. Não importa o quanto tentemos, não importa o quanto nos esforcemos — sem Cristo, não chegamos ao outro lado. Mas com Ele, temos segurança. Porque Ele não apenas conhece o caminho. Ele é o caminho.
Diante de tudo isso, como devemos viver? Primeiro: Confie totalmente em Deus – Não baseie sua vida em coisas passageiras. O Senhor reina para sempre. Ele é digno da sua confiança. Segundo: Sirva com alegria na Igreja – Há necessidades ao seu redor. Deus te chama para agir. Seja instrumento de cuidado e amor. Terceiro: Viva sua identidade em Cristo – Você é povo escolhido. Não viva como se não fosse. Sua vida deve refletir quem você é em Deus. Quarto: Permaneça firme em Jesus – Em meio a tantas vozes, segure-se na verdade: só Cristo salva. Quinto: Proclame as obras de Deus – Com palavras e atitudes, mostre ao mundo quem Deus é.
Queridos irmãos e irmãs, hoje fomos lembrados de algo grandioso: O Senhor reina e é digno da nossa confiança – A Igreja vive e cresce através do serviço – Somos povo escolhido, sacerdotes do Rei – E Jesus é o único caminho ao Pai – Essa é a nossa fé. Essa é a nossa esperança. Essa é a nossa identidade. Vivamos, portanto, como quem pertence a Deus. E que essa verdade esteja sempre em nosso coração: Somos a raça escolhida, sacerdotes do Rei, pois Jesus é o caminho, a verdade e a vida e ninguém chega ao Pai sem Jesus. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!
“SOMOS A RAÇA ESCOLHIDA, SACERDOTES DO REI, POIS JESUS É O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA E NINGUÉM CHEGA AO PAI SEM JESUS”.
Pastor da Igreja Evangélica Luterana do Brasil em Macapá – Congregação
Cristo Para Todos; também atua como Missionário em Angola e Moçambique

