Operação Iuvenis 2 avança com ação interestadual e aponta envolvimento de empresários e servidores públicos
A prisão de um homem de 31 anos no Mercado Ver-o-Peso, em Belém, na última sexta-feira (1º), revelou novos desdobramentos de uma investigação que apura a atuação de uma rede de exploração sexual de adolescentes na região Norte.
A ação foi realizada de forma conjunta pelas Polícias Civis do Amapá e do Pará, dentro da Operação Iuvenis 2.
De acordo com a polícia, o suspeito exercia a função de “agenciador”, sendo responsável por intermediar encontros entre adolescentes e adultos, em um esquema que vinha sendo monitorado há meses.
A prisão ocorreu em via pública, após trabalho de inteligência que permitiu localizar o investigado em um dos pontos mais movimentados da capital paraense.
A delegada Clívia Ferreira Valente, titular da Delegacia Especializada em Repressão a Crimes Contra Criança e Adolescente (Dercca), destacou que a captura representa um avanço significativo nas investigações.
Segundo ela, o homem já vinha sendo acompanhado pelas equipes policiais, o que possibilitou o cumprimento do mandado judicial com precisão.
“A atuação dele consistia em fazer a ponte entre as vítimas e terceiros, organizando encontros e facilitando a exploração. Esse tipo de crime exige uma resposta firme, pois envolve a violação direta dos direitos de crianças e adolescentes”, afirmou a delegada.
A Operação Iuvenis 2 é continuidade de apurações iniciadas em 2022, quando surgiram denúncias de que adolescentes estariam sendo aliciadas e coagidas a manter relações sexuais em troca de valores irrisórios, como pequenas quantias em dinheiro, lanches e refeições.
O caso chamou a atenção das autoridades pela vulnerabilidade das vítimas e pela possível participação de pessoas com influência social.
Na primeira fase da operação, deflagrada em 23 de abril, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Macapá e Santana. Durante as diligências, um dos investigados chegou a admitir envolvimento no esquema, confirmando que atuava como intermediador de uma adolescente.
A partir dessa confissão, a polícia conseguiu mapear uma possível rede articulada, com ramificações que ultrapassam os limites do Amapá.
As investigações apontam ainda que empresários e servidores públicos podem estar entre os envolvidos, o que amplia a gravidade do caso e reforça a necessidade de aprofundamento das apurações.
A polícia não descarta novas prisões e o cumprimento de outros mandados nos próximos dias.
As autoridades também reforçam a importância de denúncias anônimas, que podem contribuir para identificar vítimas e responsabilizar todos os envolvidos.

