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A Gazeta do Amapá > Blog > Colunista > JB Carvalho > A ECONOMIA DA MULTIPLICAÇÃO
JB Carvalho

A ECONOMIA DA MULTIPLICAÇÃO

JB Carvalho
Ultima atualização: 11 de julho de 2026 às 19:15
Por JB Carvalho 4 horas atrás
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A diferença entre produzir e redistribuir

Existe uma diferença fundamental entre duas formas de pensar uma sociedade.

A primeira pergunta: como podemos produzir mais?

A segunda pergunta: como vamos dividir o que já existe?

O problema surge quando a segunda substitui completamente a primeira.

Imagine um bolo.

Se ele permanece do mesmo tamanho, qualquer fatia maior para alguém significa uma fatia menor para outra pessoa. O debate torna-se inevitavelmente um jogo de soma zero. Grupos passam a disputar recursos, benefícios, privilégios e espaço político. O conflito se transforma no próprio motor da sociedade.

Mas existe outra possibilidade.

Em vez de gastar toda a energia discutindo como repartir o bolo, podemos descobrir maneiras de fazê-lo crescer.

Foi exatamente isso que marcou os grandes períodos de prosperidade da humanidade.

A Revolução Industrial não tornou as pessoas mais ricas porque redistribuiu riqueza. Ela multiplicou a capacidade de produzir riqueza. A eletricidade, os motores, a mecanização agrícola, a medicina moderna, a informática, a internet e inúmeras outras inovações fizeram o bolo crescer para praticamente todos.

Quando a produtividade aumenta, a riqueza deixa de ser apenas transferida e passa a ser criada.

Durante boa parte do século XX existia uma enorme confiança nessa capacidade humana de construir. Eram décadas de grandes projetos de infraestrutura, expansão da energia, avanços na medicina, exploração espacial e desenvolvimento tecnológico.

Hoje, em muitos países, o debate mudou de foco.

O crescimento econômico deixou de ocupar o centro da conversa, substituído por disputas sobre quem deve receber uma parcela maior da riqueza já existente.

E quando acreditamos que a riqueza é essencialmente fixa, começamos a enxergar o sucesso do outro como uma perda pessoal. A prosperidade deixa de ser vista como algo expansível e passa a parecer um estoque limitado. O empreendedor deixa de ser percebido como alguém que cria valor e passa a ser visto apenas como alguém que detém uma parte maior do bolo.

Essa lógica alimenta ressentimentos permanentes.

Uma sociedade que valoriza apenas a redistribuição tende a produzir mais burocracia, mais regulamentação e mais disputas políticas. Já uma sociedade que incentiva inovação, investimento, empreendedorismo, ciência e tecnologia cria condições para ampliar a riqueza disponível para todos.

Nenhum país saiu da pobreza redistribuindo renda. Todos os casos históricos de prosperidade duradoura passaram por aumento de produtividade, inovação tecnológica, segurança jurídica, educação, investimento e liberdade para empreender.

Primeiro é preciso produzir.

Depois é possível repartir.

Uma família entende isso intuitivamente. Se a renda diminui, discutir apenas como dividir o orçamento não resolve o problema. Em algum momento será necessário aumentar a capacidade de gerar renda.

O mesmo vale para uma empresa.

O mesmo vale para uma nação.

O verdadeiro progresso acontece quando aumentamos nossa capacidade de criar valor, desenvolver conhecimento, construir infraestrutura, descobrir novas tecnologias e abrir novos mercados.

Antes de discutir o tamanho das fatias, é preciso perguntar se estamos dispostos a aumentar o tamanho do bolo.

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